A EXPERIÊNCIA LITERÁRIA COMO DESOBEDIÊNCIA PEDAGÓGICA NA FORMAÇÃO INICIAL DOCENTE

Autores

  • Giovana Cofferri De Oliveira UFFS
  • Dr. Bruno Antonio Picoli UFFS

Palavras-chave:

Formação de professores. Experiência. Literatura. Neoliberalismo

Resumo

O presente trabalho inscreve-se no campo da filosofia da educação, com ênfase na filosofia da alteridade. Mobiliza o conceito de experiência a partir das memórias de professoras em formação inicial emergidas com a leitura literária. Como pano de fundo, o condicionante da “experiência”, o neoliberalismo e sua projeção sobre a subjetividade. Alimentado por esse cenário político-econômico, surge a problemática: há outras possibilidades do fazer docente constituir-se por meio de uma experiência sensível permeada pelo fazer literário? Para responder, recorre a entrevistas semi-estruturadas com estudantes do curso de Pedagogia da UFFS - Campus Chapecó, na forma de grupo focal. Busca nas minúcias de memórias literárias os encontros e desencontros consigo e com a alteridade que a literatura, sobretudo no que diz respeito à constituição docente e intelectual. O objetivo geral detém-se em problematizar a precarização da formação e do trabalho docente, imersos no culto do útil, o que coloca o gozo estético e literário em uma situação marginal. Busca então, provocar e refletir sobre possibilidades outras de ser docente e toma a leitura literária como experiência subjetiva que reverbera sobre as práticas educativas. No que tange ao desdobramento teórico, a pesquisa apoia-se no eixo da crítica à racionalidade idolátrica e performatividade exacerbada delineadas por Souza (2020) e Masschelein e Simons (2014), aliada ao conceito de experiência por uma ótica benjaminiana (Benjamin 2012), escarafunchado por Jorge Larrosa (2002) e Giorgio Agamben (2005) que problematizam a pobreza e a falta dessa experiência. Por fim, como um alinhavo que os une, a literatura como um direito (Candido, 2004) e uma forma de desobediência pedagógica (Picoli, 2021). Desse modo, a leitura literária, apesar de prática educativa, atravessa o tecido tal qual uma agulha, como elemento constitutivo da formação humana e docente, um refúgio ético e estético contra a barbárie e a precarização do papel da professora.

Biografia do Autor

  • Giovana Cofferri De Oliveira, UFFS

    Licenciada em Pedagogia, Bolsista CNPq, discente do Programa de Pós-Graduação em Educação

  • Dr. Bruno Antonio Picoli, UFFS

    Doutor em educação, docente do Programa de Pós-Graduação em Educação e dos cursos de Licenciatura em História e Pedagogia.

Referências

AGAMBEN, Giorgio. Infância e história: destruição da experiência e origem da história. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2005

BENJAMIN, Walter. Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura. São Paulo: Brasiliense, 2012.

CANDIDO, Antonio. Vários escritos. São Paulo: Ouro sobre Azul, 2004.

LARROSA, Jorge. Notas sobre a experiência e o saber de experiência. Revista Brasileira de Educação, Campinas, v. 19, p. 20-29, abr. 2002. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbedu/a/Ycc5QDzZKcYVspCNspZVDxC/?lang=pt. Acesso em: 15 jul 2026.

MASSCHELEIN, Jan; SIMONS, Marteen. Em defesa da escola: uma questão pública. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2014.

PICOLI, Bruno Antonio. Contraeducação histórica: a diagonal do agora e a utopia negativa. Porto Alegre, EdiPUCRS, 2021.

SOUZA, Ricardo Timm de. Crítica da razão idolátrica: tentação de thanatos, necroética e sobrevivência. Porto Alegre: Zouk, 2020.

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Publicado

27-08-2026

Edição

Seção

Formação de Professores: Conhecimentos e Práticas Educacionais