QUE TEMPO HÁ PARA SER PROFESSORA?

Autores

  • Bruna Bartoski UFFS
  • Bruno Picoli

Palavras-chave:

Tempo, Docência, Experiência.

Resumo

Esta pesquisa, no campo da Educação, problematiza a política do tempo na contemporaneidade e suas implicações sobre a docência. A partir de um recorte de gênero, a problemática central investiga "que tempo há para ser professora?" diante da imposição de uma cultura da performatividade, traduzida no que se convencionou chamar de "culto ao útil (Souza, 2020; Biesta, 2012.)". O objetivo principal é compreender como essa exigência por produtividade afeta o tempo das educadoras e afasta a escola do seu sentido original de scholé (tempo livre para estudo e reflexão) (Biesta, 2018). Para isso, o estudo analisará criticamente os impactos das demandas burocráticas e formativa no que diz respeito a questões de cansaço, adoecimento e identidade docente. Tratando-se de uma pesquisa qualitativa em andamento, a metodologia delineada utilizará a observação com registros em diário de campo e a realização de entrevistas semiestruturada com professoras, sendo os dados futuramente interpretados por meio da análise textual discursiva. O percurso analítico é alicerçado em um referencial teórico que se baseia em Gert Biesta, para discutir os propósitos da educação, a era da mensuração e o dever institucional de resistir; Jorge Larrosa, para conceituar o professor como sujeito da experiência em oposição ao mero sujeito da informação e do acúmulo de tarefas; e Ricardo Timm de Souza, para embasar a crítica à lógica estritamente utilitária. Com este delineamento, o estudo busca estruturar uma reflexão sobre os sentidos e os custos humanos da aceleração produtivista e a cobrança por permanente formação na docência, e as possíveis consequências de tais práticas.

Referências

BIESTA, Gert. A boa educação na era da mensuração: o que é, por que é necessária e como

pode ser alcançada. Cadernos de Pesquisa, São Paulo, v. 42, n. 147, p. 808-825, set./dez. 2012.

BIESTA, Gert. O dever de resistir: sobre escolas, professores e sociedade. Educação, Porto

Alegre, v. 41, n. 1, p. 21-29, jan./abr. 2018.

LARROSA, Jorge. Tremores: escritos sobre experiência. 1. ed. Belo Horizonte: Autêntica

Editora, 2015.

SOUZA, Ricardo Timm. Crítica da razão idolátrica. Porto Alegre, RS: Zouk 2020.

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Publicado

27-08-2026

Edição

Seção

Formação de Professores: Conhecimentos e Práticas Educacionais