TRAJETÓRIAS DE PROFESSORAS NEGRAS NA EDUCAÇÃO EM SANTA CATARINA
Palavras-chave:
Representações sociais, Trajetórias, Professoras negras, Interseccionalidade , Relações étnico-raciaisResumo
A intenção desta pesquisa é identificar as intersecções de raça, gênero e classe nas trajetórias de professoras negras catarinenses aposentadas da educação básica em Santa Catarina. O objetivo é investigar as intersecções dessas categorias em suas trajetórias, analisando os impactos do racismo/sexismo e os mecanismos articulados por tais mulheres na resistência aos preconceitos. A construção, assim, se dará pela oralidade, enfatizando as experiências destas professoras em espaços educativos, empregando a interseccionalidade como ferramenta análica central, por meio dos trabalhos de Kimberlé Crenshaw (1989, 2002a, 2002b), Carla Akotirene (2019), Patricia Hills Collins (2019, 2022) e seu trabalho em conjunto com Sirma Bilge (2021), utilizando, também, os escritos de bell hooks (2013, 2019, 2020) sobre feminisno negro e ensino como base teórica. A interseccionalidade, construída na atuação de intelectuais feministas negras, possibilita leituras acerca das interações estruturais dos sistemas de opressão e o impacto destas nas experiências de professoras negras (Akotirene, 2019). O pensamento interseccional nega leituras sociais voltadas separadamente para raça, gênero ou classe (Kimberlé Crenshaw, 1989), construindo análises voltadas ao contexto singular das vivências de mulheres negras no cotidiano. Ainda, a interseccionalidade, projeto de conhecimento de resistência (Collins, 2022), promove o destaque das estratégias de superação destas mulheres aos obstáculos impostos em suas vivências dentro de ambientes educativos. A pesquisa será elaborada a partir de até sete relatos orais de professoras negras, dispostas a compartilhar suas memórias em torno da docência. A oralidade, neste projeto, constrói caminhos para o registro das memórias das professoras negras e a escrita de suas narrativas, preenchendo os vazios (Evaristo, 2021) ao combater um sistema que desqualifica suas memórias e sua produção de conhecimento (Kilomba, 2019). Assim, espera-se como resultado, desenvolver um espaço de articulação das vozes destas mulheres (Kilomba, 2019), justificando, desta forma, o desenvolvimento desta pesquisa e do emprego da interseccionalidade.
Referências
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hooks, bell. Ensinando pensamento crítico: sabedoria prática. São Paulo: Elefante, 2020.
KILOMBA, Grada. Memórias da plantação: episódios de racismo cotidiano. Cobogó: Rio de Janeiro, 2019.
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