O TRABALHO DO ENFERMEIRO EM UMA INSTITUIÇÃO DE LONGA PERMANÊNCIA PARA IDOSOS
Resumen
Introdução: o envelhecimento da população é uma realidade experienciada em todo o mundo. Com o aumento da expectativa de vida, os indivíduos ficam expostos a problemas de saúde causados pelo processo de envelhecimento. Doenças crônico-degenerativas podem surgir com o avançar da idade e causar complicações de progressão lenta, permanentes e irreversíveis. Tais enfermidades acabam por limitar as atividades físicas e mentais dos indivíduos idosos, causando perda de autonomia e afetando gravemente sua funcionalidade. Estas alterações fisiológicas e patológicas vivenciadas na pessoa idosa resultam em uma crescente dependência para realização das atividades diárias (Guerra et al., 2021). Diante de situações em que o idoso necessita de assistência, mas o ambiente familiar não o propicia, surgem como alternativa de moradia as Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs), conforme orientações fornecidas pelo Estatuto do Idoso, legislação vigente e políticas públicas direcionadas a este público. As ILPIs são instituições residenciais governamentais ou privadas, destinadas ao domicílio coletivo de pessoas com idade igual ou superior a 60 anos, com ou sem suporte familiar. Nesses locais os residentes realizam atividades envolvendo desde a alimentação até a socialização. Diante disso, a equipe de Enfermagem atuante é fundamental para o monitoramento das condições de saúde, gerenciamento dos cuidados e apoio à saúde psicossocial dos idosos. Dentre as ações desenvolvidas, o enfermeiro realiza atividades assistenciais, de educação em saúde, gestão e gerência do serviço. Entre as atividades assistenciais destaca-se a implementação do Processo de Enfermagem (PE) seguindo as etapas: avaliação de enfermagem; diagnóstico de enfermagem; planejamento de enfermagem; implementação de enfermagem; e evolução de enfermagem. O PE deve ser executado obrigatoriamente por enfermeiros em todos os ambientes onde ocorre o cuidado profissional, promovendo a individualização do cuidado e favorecendo intervenções baseadas em evidências (COFEN, 2024). As ações gerenciais do enfermeiro têm importante papel no funcionamento das ILPIs, pois desenvolvem várias estratégias que visam melhorar e/ou manter a qualidade dos cuidados prestados nas instituições de saúde. Objetivo: relatar a experiência de trabalho do enfermeiro de uma instituição de longa permanência para idosos. Metodologia: trata-se de um relato de experiência sobre o trabalho do enfermeiro em uma ILPI localizada em um município da região oeste de Santa Catarina, durante o ano de 2025. A instituição é mantida pelo poder público em parceria com um clube de serviço, e possui 18 leitos para atendimento de idosos com vínculos familiares rompidos, oferecendo cuidados contínuos de enfermagem no período de 24 horas. Possui equipe multiprofissional composta por enfermeiro, médico, fisioterapeuta, fonoaudióloga, nutricionista, assistente social, auxiliares de enfermagem, monitores sociais e estagiários de diversos cursos da área da saúde, principalmente do curso técnico em enfermagem. Inicialmente, foi realizada a análise do grau de dependência dos idosos, incluindo os registros em prontuário, identificando as patologias e outras questões de saúde. Utilizou-se as escalas de Morse para avaliar o risco de queda, e Braden para avaliar o risco de desenvolver lesão por pressão, e iniciou-se a implementação do Processo de Enfermagem. Este relato de experiência baseia-se em registros pessoais dos autores, observações e atividades desenvolvidas em busca de promover a humanização e qualificar o cuidado de enfermagem. Resultados e discussão: dentre as características importantes observadas na ILPIs, a principal baseia-se no registro individual das condições de saúde e doença dos idosos, informações sobre o grau de dependência por meio da utilização da escala de Katz, e atualização dos prontuários dos residentes. O Índice de Katz para Atividades Básicas da Vida Diária (ABVD), é uma ferramenta amplamente utilizada na avaliação da capacidade funcional de indivíduos idosos, mensurando seu grau de independência na realização de tarefas essenciais do cotidiano, como tomar banho, vestir-se, realizar a higiene pessoal, alimentar-se, mobilizar-se e realizar transferências. A escala é considerada um instrumento clínico confiável para a identificação de níveis de dependência funcional, sendo amplamente aplicada em serviços de atenção ao idoso, especialmente em Instituições de Longa Permanência (Dias et al., 2021). Essas informações possibilitam compreender a condição de cada residente, favorecendo a implementação de intervenções de enfermagem de modo assertivo para melhorar a condição de saúde. Limitações para o desenvolvimento de atividades cotidianos pode implicar em risco de quedas entre os idosos, com prejuízo à saúde e incapacidades. A institucionalização de idosos pode acarretar na redução da autonomia e sedentarismo, além de sentimentos como perda e abandono, o que pode levar ao aumento da dependência funcional e do risco de quedas (Paula et al., 2020). Nesse contexto, algumas medidas preventivas foram implementadas pela equipe de enfermagem na ILPI, como por exemplo, a higiene corporal por banho de aspersão, hidratação da pele, utilização de colchão piramidal/pneumático e coxins para redistribuir a pressão em áreas de proeminências ósseas. A aplicação da escala de Katz evidenciou que 80% dos residentes apresentam alto grau de dependência. Em seguida, iniciou-se a aplicação das escalas de Morse e Braden por meio de formulários específicos que foram inseridos junto aos prontuários dos residentes. O resultado das avaliações subsidiaram o início da implementação do PE. Para tanto, foi elaborado um formulário específico que tem possibilitado o registro de todas as etapas do PE. O prontuário dos residentes é físico na instituição, contudo a enfermeira tem acesso ao prontuário eletrônico utilizado no município e pode visualizar o histórico prévio dos residentes, o que contribui para a elaboração do PE. Vale ressaltar que o PE é essencial para assegurar a qualidade, segurança e integralidade do cuidado prestado aos idosos institucionalizados. Apesar dos diversos desafios da sua implementação, como a escassez de recursos humanos qualificados, sobrecarga de trabalho e a falha no apoio institucional, a aplicação do PE em ILPIs contribui significativamente para a melhoria da assistência, promovendo um cuidado mais humanizado e eficaz (Fonseca; Fontes, 2019). O comprometimento do enfermeiro, enquanto coordenador da equipe multiprofissional, na execução e monitoramento contínuo das práticas assistenciais e gerenciamento do cuidado, é fundamental para a promoção da humanização e segurança do paciente idoso, permitindo o envelhecimento saudável e de qualidade. Portanto, as ILPIs constituem um nicho especial para a prática da Enfermagem. Contribuições do trabalho em direção aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: o cuidado de enfermagem para a pessoa idosa nas ILPIs contribui com o alcance do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 3, que visa garantia de saúde e bem-estar em todas as idades, através de ações como promoção à saúde, prevenção de doenças crônicas, melhoria da qualidade de vida e apoio à autonomia. Desse modo, o cuidado qualificado e executado com dignidade nas ILPIs contribui para a qualidade de vida dessa população. Considerações finais: o trabalho do enfermeiro em uma ILPI requer conhecimentos abrangentes sobre a saúde do idoso, especialmente quando os residentes apresentam alto grau de dependência. Nesse contexto, a utilização de escalas como a Katz, Braden e Morse, somadas a implementação do PE enquanto atividade privativa do enfermeiro, mas com engajamento de toda a equipe de enfermagem, apresenta-se como uma estratégia que qualifica o cuidado, uma vez que baseia-se em evidências científicas, e confere segurança para os residentes, profissionais e cuidadores. Após a implementação das escalas e do PE observou-se melhorias na execução das atividades pela equipe de enfermagem, com a implementação de medidas de cuidado assertivas e seguras. Observou-se uma diminuição no número de casos e queda à beira do leito e lesões por pressão em pacientes acamados. Portanto, o PE pode ser considerado uma ferramenta que impulsiona o cuidado holístico, a assistência singularizada e humanizada.
