VALIDAÇÃO DE TECNOLOGIA EDUCACIONAL PARA O CUIDADO EM SAÚDE À VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER URBANO-RURAL
Resumo
Introdução: A violência contra a mulher, principalmente a violência sexual e a praticada pelo companheiro, tem sido um grande problema de saúde pública, além de, claramente, uma violação dos direitos humanos que segue perpetrada dentro da desigualdade de gênero. No mundo todo, pelo menos 1 a cada 3 mulheres foram vítimas de violência sexual e/ou íntima ao longo da vida. As Nações Unidas classificam como violência contra a mulher, qualquer ato de violência de gênero que possa resultar em sofrimento mental, físico ou sexual. No Brasil, os estados do Rio de Janeiro, Rondônia e Amazonas apresentam maiores índices de mulheres que declaram ter sofrido violência doméstica ou familiar provocada por homem. Ainda de acordo com este levantamento, houve um aumento de 74% de casos de violência doméstica em todo país, sendo RS o estado com a menor taxa de aumento, com 62% dos casos (Brasil, 2024). Em 2025, o Monitoramento dos Indicadores de Violência Contra a Mulher no estado do RS, de janeiro a maio do ano corrente, registrou 30 feminicídios nos mais variados cenários como capital e cidades do interior. Além disso, foram 116 tentativas de feminicídio, 13.680 ameaças, 878 estupros e 8.142 lesões corporais. Ressalta-se que estes dados oriundos da Secretaria de Segurança Pública não constam informações segregadas sobre pertencimento da vítima ao contexto rural ou urbano, dificultando a caracterização do perfil das mulheres em situação de violência. O enfrentamento da violência contra as mulheres rurais precisa ser compreendido tanto por profissionais da segurança quanto por profissionais da saúde, para que as vítimas possam ser encaminhadas ao atendimento profissional. As desigualdades de gênero e dependência econômica do agressor associadas a fatores como isolamento geográfico e profissionais da saúde despreparados para lidar com a violência, contribuem para a permanência desta população no ciclo da violência (Stochero; Pinto, 2023). A elaboração de uma tecnologia educacional que subsidie os profissionais na notificação de violência contra a mulher urbano-rural pode auxiliar na efetivação de políticas públicas assertivas para o combate à violência de gênero, não apenas do registro, do atendimento e do encaminhamento a setores que complementam as ações, mas também para a elaboração de estratégias de prevenção. O preenchimento correto da ficha de notificação pode incrementar os registros, gerando indicadores de saúde, base para a obtenção de recursos que podem ser utilizados em benefício das vítimas. Objetivo: Buscar as dissertações e teses que desenvolveram tecnologias educacionais para o enfrentamento da violência contra a mulher e métodos de validação adotados. Metodologia: Trata-se de uma revisão bibliométrica realizada na base de dados nacional Portal Capes de Teses e Dissertações, partindo da questão: qual é a tendência metodológica das teses e dissertações no Brasil acerca de validação de instrumentos/ tecnologias educacionais construídas para o enfrentamento a violência contra a mulher. Foi utilizada a estratégia: “violência” AND “validação” e como categoria de refinamento de resultados, apenas teses e dissertações de doutorado e mestrado acadêmico, sem corte temporal a fim de ampliar os resultados. Para a análise, foi realizada a leitura flutuante do título e resumo disponível das pesquisas, incluindo os trabalhos que não tinham divulgação autorizada. Foram excluídos trabalhos que não respondiam o objetivo da pesquisa. Resultados e discussão: Após a realização de busca no portal da Capes, chegou-se a 47 resultados. Foi realizada a leitura flutuante dos mesmos e aplicado os critérios de inclusão e exclusão para a seleção e, obteve-se 5 pesquisas que envolveram a temática violência contra mulher e validação de tecnologia educativa. Em relação ao perfil das universidades o predomínio foi de instituições públicas, sendo dois estudos da Universidade Federal de Pernambuco, um da Universidade Estadual de Campinas, um da Universidade Federal de Santa Maria e um da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul. As pesquisas foram produzidas em Programas de Pós-graduações da área da saúde e, publicados entre os anos de 2021 e 2023. A pesquisa número um abordou a violência sexual sofrida por adolescentes, utilizando-se de estudo metodológico para o desenvolvimento de um vídeo educacional voltado a este público, através de revisão de literatura e pesquisa fenomenológica. A pesquisa número dois teve como público-alvo mulheres transexuais e desenvolveu uma cartilha para auxiliá-las no enfrentamento a violência sexual, usando para o seu desenvolvimento um estudo metodológico com revisão de literatura e pesquisa qualitativa. O estudo número três utilizou-se de métodos mistos para o desenvolvimento de um questionário voltado aos homens. O trabalho número quatro possuía acesso restrito não deixando claro no resumo a metodologia utilizada para o desenvolvimento do instrumento criado para avaliar a raiva nos conflitos amorosos. A pesquisa número 5 foi voltada às gestantes e o combate da violência obstétrica, utilizando-se de estudo metodológico com revisão de literatura e criação de cartilha educativa sobre parto. Ainda, entre os estudos selecionados, três utilizaram o Índice de Validade de Conteúdo (IVC) para realizar a validação do instrumento elaborado. O respaldo de uma tecnologia educacional se dá através da avaliação do instrumento produzido. Desta forma, o estudo de validade de conteúdo é imprescindível para avaliar o quando a tecnologia é aplicável à população (Medeiros et al, 2015). Um estudo se utilizou da Análise Fatorial e Teoria da Resposta ao Item (TRI). O TRI tem alcançado espaço na atual literatura metodológica e se baseia na pressuposição de respostas aos itens que refletem um construto subjacente, por exemplo, maior acerto em uma escala por um determinado grupo (Vieira e Bressan, 2022). Um estudo validou seu instrumento através do IVC e TRI em conjunto. A violência contra a mulher não deve ser vista apenas como uma luta de gênero, mas uma pauta a ser enfrentado por toda sociedade. Mais estudos são fundamentais para uma mudança significativa (Fernandes e Natividade, 2020). Contribuições do trabalho em direção aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: O quinto objetivo de desenvolvimento sustentável é alcançar a igualdade de gênero e empoderar meninas e mulheres. Para realizar este propósito, uma das metas é conseguir todas as formas de violência contra meninas e mulheres. Tecnologias educativas de notificação de violência contra a mulher podem auxiliar no combate à subnotificação de casos, alarmando autoridades para o desenvolvimento de políticas públicas que auxiliem na prevenção de atos violentos ou então no apoio a saída do ciclo de violência. Considerações finais: Este estudo evidencia um pequeno número de dissertações e teses no que concerne à criação e validação de instrumentos-tecnologia educativa para cuidado em saúde à violência contra mulher urbano-rural, os quais podem ser extremamente importantes para o auxílio da prática profissional no cuidado em saúde às mulheres em situação de violência que vivem nestes contextos.
