PERSPECTIVAS DE CURRÍCULO EM CURSOS DE FORMAÇÃO INICIAL DE PROFESSORES DE BIOLOGIA
Resumo
Ao longo dos anos, o currículo é precedido de alterações e transformações que se intensificaram a partir do período de redemocratização do país (DIAS; LOPES, 2009) e vem transcendendo até os dias de hoje. Este resumo, compreende um recorte de uma dissertação em que se busca no currículo de formação inicial de professores de Ciências Biológicas, compreender as perspectivas acerca das teorias de currículo. Para tanto, utilizamos como objetos de investigação os Projetos Pedagógicos dos Cursos (PPCs) de duas instituições: Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), campus Cerro Largo e Instituto Federal Farroupilha (IFFar), campus Santa Rosa. Dessa forma, empreendemos um estudo comparativo entre o que é apresentado acerca das teorias de currículo identificadas nos PPCs, e, que acabam por caracterizar a perspectiva curricular do processo formativo. A presente pesquisa é de cunho documental e qualitativa, seguindo a Análise Temática de Conteúdo de Lüdke e André (2001): pré-análise, exploração do material, tratamento e inferência dos resultados, sendo que na primeira etapa selecionamos os PPCs a serem investigados. No decorrer da exploração do material, acompanhados pelas teorias de currículo de Silva (2011): tradicional, crítica e pós-crítica, realizamos a leitura dos PPCs. No PPC da UFFS, voltamos nossos olhares para o subitem “Objetivos dos Cursos”. Já com relação ao IFFar, demos enfoque à: 1) concepção de currículo e 2) concepção de curso, para assim possibilitar a interpretação e inferência dos resultados. As teorias de currículo propostas por Silva (2011) estão divididas em três concepções, sendo que a teoria tradicional demarca uma visão neutra acerca das teorias e, consequentemente, do currículo, e as teorias críticas e pós-críticas, se opõe ao argumentar que nenhuma teoria é neutra, mas que as influências acerca desta perspectiva dar-se-ão por meio de relações de poder e, ainda, se questionam acerca de suas próprias evidências teóricas. Sendo assim, ao analisarmos o discurso presente nos itens selecionados, encontramos o curso de Ciências Biológicas do IFFar (2014, p. 23) arraigado por uma cultura curricular tradicional observada no fragmento: “articulação entre a formação acadêmica e o mundo do trabalho, possibilitando a articulação entre os conhecimentos construídos nas diferentes disciplinas do curso com a prática real de trabalho”. A escrita nos remete ao modelo de Bobbit trazido por Silva (2011), no qual o sistema educacional deveria traçar objetivos para realizar um exame de habilidades necessárias que resultassem em eficiência ou não para ocupar cargos profissionais, ou seja, o curso pensado pela instituição está mais preocupado em formar profissionais para o mercado de trabalho, antes de pensar num interesse pedagógico de formação. Em contrapartida, o curso da UFFS (2018, p. 41), chama atenção para o caráter crítico, ao mencionar: “formar professores reflexivos, pesquisadores com espírito científico, criativo e com postura crítica, ética e comprometidos com os contextos social, cultural, econômico, ambiental e educacional, visando a construção de uma sociedade socialmente justa, democrática e inclusiva”, uma vez que há o interesse em articular intenções pessoais e necessidades mais amplas que dizem respeito ao contexto social. Nesse sentido, a teoria crítica aposta no processo educacional como impulsionador de discussões sobre práticas sociais, políticas e econômicas que analisam contextos e percebem possibilidades (HORNBURG; SILVA, 2007). Em suma, podemos constatar o caráter tradicional predominantemente presente em PPCs de Institutos Federais, em contrapartida nas Universidades, o caráter crítico se destaca, justamente por apresentar questões fortemente alicerçadas em interesse pedagógico, ou seja, formar, sobretudo, para exercer a docência e não para privilegiar o mercado de trabalho.