Cemitério Redondo: Patrimônio Caboclo no Caminho das Tropas nos Altos Catarinenses
Palavras-chave:
Cemitério Redondo, Colonização Cabocla, Violência, Caminhos e TropeirismoResumo
Este artigo investiga a origem do Cemitério Redondo e o contexto histórico de violência e desafios no percurso dos caminhos das matas, ao longo da trajetória de surgimento do município de Piratuba no interior do estado de Santa Catarina, Sul do Brasil. Tem como objeto apresentar novas descobertas feitas sobre os acontecimentos que permeiam os principais sepultamentos no campo santo, estabelecendo como marco temporal aproximado o período entre 1897 e 2007. Para além de um mero campo santo, esse espaço funerário revela fragmentos perdidos no esquecimento ou silenciados da história local, especialmente no que se refere aos processos de ocupação territorial, aos embates socioculturais e à trajetória de comunidades caboclas em meio à violência estrutural e ao isolamento dos caminhos das matas.
Apesar de integrar o patrimônio material e imaterial da região, o Cemitério Redondo permanece, em grande parte, envolto por narrativas fragmentadas e lacunas documentais, tornando-se um elemento enigmático do imaginário piratubense. A escassez de estudos sistematizados e a ausência de uma historiografia consolidada sobre o tema justificam a relevância desta investigação, que busca revelar aspectos ocultos da história local, especialmente no recorte temporal que abrange de 1897 a 2007.
Metodologicamente, esta pesquisa ancora-se na triangulação entre fontes bibliográficas, registros documentais e, de maneira especial, nos testemunhos orais, captando memórias subjetivas, versões familiares dos fatos e interpretações vivenciadas do passado. Nesse contexto, recorremo-nos, ao uso estratégico de entrevistas captadas em distintos períodos, as quais além reconstituir fatos históricos, apresentam-se como elemento de compreensão para os sentidos atribuídos ao Cemitério Redondo e aos personagens que ali estão sepultados.
Deste modo, o presente trabalho se propõe posicionar o Cemitério Redondo, para além de um campo de disputa na reconstrução e de reconhecimento, objetivando elucidar questionamentos que por décadas permeiam o imaginário popular local, além de reafirmar a presença da cultura e colonização cabocla, como precursora na ocupação regional pelos caminhos e tropas, no pós-presença dos povos originários.
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