AS VULNERABILIDADES DA EXPERIÊNCIA MIGRATÓRIA FEMININA NO BRASIL

Autores

  • Vanessa Tomé Universidade Federal da Fronteira Sul - Campus Passo Fundo
  • Priscila Pavan Detoni Universidade Federal da Fronteira Sul - Campus Passo Fundo

Palavras-chave:

Migração, Políticas Públicas, Gênero, Proteção Social, Racismo

Resumo

A migração internacional para o Brasil, sobretudo nas últimas duas décadas, consolidou-se como fenômeno de relevância social e política; com o significativo aumento de mulheres imigrantes. O país passou a ser destino de diferentes fluxos oriundos da América Latina, África e Ásia, ao mesmo tempo em que expõe contradições e revela lacunas nas políticas públicas diante das demandas dessas populações. Este trabalho tem por objetivo analisar, por meio de revisão bibliográfica, o panorama atual das mulheres imigrantes no Brasil. Foram consultadas as bases Scientific Eletronic Library Online (SciELO), Public Medline (PubMed) e Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), com prioridade para artigos publicados nos últimos dez anos. A partir dos 9 artigos analisados em um primeiro momento, observou-se que a migração não se restringe ao deslocamento geográfico, mas envolve ressignificação identitária e confrontos culturais constantes. O corpo do migrante surge como espaço de negociação simbólica, atravessado por racismo estrutural, discriminação e subalternização, o que compromete a integração e o sentimento de pertencimento. Além disso, predomina a ideia de não diferenciação do cuidado em saúde em relação aos brasileiros, gerando tensões quanto ao exercício desse princípio fundamental, marcada pela ausência de políticas públicas específicas, voltadas à saúde da população migrante, prevalecendo ações isoladas de equipes locais. Também se evidencia a feminização da pobreza e a histórica opressão de gênero, que colocam a mulher migrante em posição de dupla vulnerabilidade: como estrangeira e como mulher. Sua inserção no mercado formal ocorre em nichos de baixa remuneração e frequentemente associados a papéis de cuidado, evidenciando desigualdades salariais em relação a homens migrantes e mulheres brasileiras. Ainda, a pandemia de Covid-19 intensificou essas disparidades, com perdas de empregos, aumento da violência e sobrecarga de trabalho doméstico, que marcaram esse período e escancararam os limites da proteção social e da política migratória brasileira. Em síntese, a literatura analisada evidencia que a experiência migratória no Brasil é atravessada por múltiplos fatores, como ausência de políticas públicas específicas, vulnerabilidades laborais e de saúde, racismo estrutural e desigualdades de gênero. Apesar da diversidade de fluxos e perfis, permanece uma constante: a dificuldade de integração plena e de reconhecimento de direitos, o que repercute diretamente na saúde mental e no bem-estar das migrantes. Assim, o fenômeno migratório deve ser compreendido como processo multidimensional, em que se entrelaçam questões econômicas, políticas, culturais e subjetivas.

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Publicado

24-10-2025

Edição

Seção

Ciências da Saúde - Pesquisa - Campus Passo Fundo