A EPISTEMOLOGIA NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE CIÊNCIAS DA NATUREZA: UM OLHAR PARA OS ANAIS DO ENPEC

Autores

Palavras-chave:

Formação de professores, Epistemologia, Educação nas Ciências

Resumo

A formação de professores de Ciências da Natureza no Brasil é um tema amplamente discutido devido às recentes mudanças curriculares na Educação Básica. Neste cenário, objetivou-se com o presente trabalho analisar como os aspectos epistemológicos têm sido abordados nas pesquisas que tratam da formação. Nesse contexto, realizou-se uma investigação de natureza qualitativa, do tipo bibliográfica, com uma busca nos Anais do Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências (ENPEC), focando em trabalhos publicados entre 2017, 2019 e 2021, na área de Formação de Professores. Utilizaram-se como descritores os termos “episteme” e “epistemologia”, observando sua presença no título, resumo e palavras-chave. Para os anos mencionados, o ENPEC apresentou um total de 3.681 trabalhos publicados, sendo 618 na área temática de Formação de Professores. Em 2017, foram 267 trabalhos nessa área, mas apenas 1 (T1) teve a epistemologia como enfoque de pesquisa. No T1, investigaram-se as concepções epistemológicas de professores em formação inical da Educação Infantil, revelando uma mistura de abordagens tradicionais e construtivistas no ensino-aprendizagem. Em 2019, dos 219 trabalhos nessa área, 4 (T2, T3, T4, T5) abordaram a epistemologia. No T2, analisou-se a produção de professores de Química, destacando um aumento no interesse por atividades experimentais e uma preferência por abordagens qualitativas. No T3, discutiram-se os obstáculos epistemológicos presentes na Reforma do Ensino Médio, com foco na formação crítica dos alunos e no impacto da política educacional. No T4, avaliou-se o uso das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) por professores de Biologia, identificando desafios no domínio das TICs e a falta de reflexão crítica sobre seu uso. No T5, analisaram-se os pressupostos epistemológicos em pesquisas educacionais, destacando a predominância de abordagens subjetivistas e a necessidade de rigor metodológico. Em 2021, dos 132 trabalhos, apenas 3 (T6, T7, T8) trataram de epistemologia. No T6, aplicou-se a epistemologia Fleckiana para analisar estilos e coletivos de pensamento em professores de Química, enfatizando a importância de práticas reflexivas e o acompanhamento contínuo na formação inicial. No T7, realizou-se uma análise do Caderno de Ciências Naturais para o Ensino Fundamental I, observando a Transposição Didática e a importância de uma formação docente sólida. No T8, investigaram-se os modelos de formação de professores de Química, identificando uma influência predominante da racionalidade técnica e sugerindo a necessidade de novos modelos formativos. Ademais, a análise destaca a necessidade de integrar aspectos epistemológicos mais profundamente na formação de professores de Ciências da Natureza. Os dados indicam que, apesar da relevância da epistemologia, a formação docente ainda se concentra em abordagens subjetivistas, técnicas e racionalistas, com pouca ênfase no desenvolvimento do pensamento crítico e investigativo. Essa falta de discussão epistemológica afeta diretamente a prática pedagógica, limitando a capacidade dos professores de refletir e inovar em suas práticas. Apesar da crescente conscientização sobre a importância da epistemologia, o número reduzido de trabalhos publicados sugere que muitos desafios permanecem. Portanto, é imprescindível continuar incentivando pesquisas que explorem e aprofundem a compreensão dos aspectos epistemológicos na formação de professores, contribuindo assim para uma prática docente mais reflexiva e eficaz.

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Publicado

17-09-2024

Edição

Seção

Ciências Humanas - Pesquisa - Campus Cerro Largo