DO LADO OBSCURO DA MODERNIDADE AO GIRO DECOLONIAL

O PERFIL DA PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU NO BRASIL

Autores

Palavras-chave:

colonialidade, Epistemologias do Sul, gênero, interseccionalidade, marcadores sociais

Resumo

Este trabalho apresenta, sob a perspectiva histórica e social, relações entre o sistema moderno-colonial de gênero e a pós graduação stricto sensu no Brasil. Com o objetivo de averiguar e analisar a indissociabilidade entre a proporção de mulheres entre tituladas/os em cursos de mestrado e doutorado e os fatores de ordem política, religiosa e cultural, buscou-se identificar aspectos intrínsecos ao contexto sócio-histórico brasileiro que, marcado pelo espectro colonial, constitui-se vinculado às relações de poder e de dominação e, simultaneamente, de resistência e de subversão. Para tanto, foram estabelecidas categorias de dados cuja análise fornece subsídios para refletir e melhor compreender qualitativamente os impactos sociais decorrentes da proporção de mulheres entre tituladas/os em cursos de mestrado e doutorado no País. Recorreu-se a aspectos quantitativos tais como o percentual de mulheres entre as/os tituladas/os em cursos de mestrado e de doutorado e entre as/os empregadas/os com tais qualificações, variáveis como proporções de mulheres entre as/os tituladas/os no Brasil e em outros países, proporções de mulheres entre as/os tituladas/os nas diversas regiões do Brasil, além de diferenças de participação por grandes áreas do conhecimento e desigualdade de remuneração média entre mulheres e homens com titulações equivalentes. Esta investigação divide-se, desse modo, em duas partes: inicialmente, revisão de literatura ancorada a autoras/es que contextualizam, problematizam e elucidam as dimensões do colonialismo e da (de)colonialidade; na sequência, são propostas análises e reflexões acerca do estudo Brasil: Mestres e Doutores 2024, desenvolvido pelo Centro de Gestão de Estudos Estratégicos (CGEE) a partir de dados disponibilizados na Plataforma Sucupira – mantida pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) – referentes ao período 1996-2021. Os dados analisados permitem inferir que o sistema moderno-colonial de gênero se projeta, se nutre e se reproduz calcado na colonialidade de poder, saber, ser e gênero, asseverando as assimetrias, subjetividades e intersubjetividades definidas pelos marcadores sociais de poder e dominação no âmbito da pós-graduação stricto sensu brasileira e suas implicações sociais.

Biografia do Autor

  • Fernanda Schons, Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS)

    Fernanda da Silva Schons é educadora há mais de vinte anos. Mestranda no Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas (PPGICH) da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) - Campus Erechim, com bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Possui formação em Ensino Médio Profissional - Magistério pela Escola Estadual Normal José Bonifácio (Erechim/RS) e graduação em Licenciatura em Matemática pelo Centro Universitário Internacional (Uninter). Tem experiência docente em diversas disciplinas, com destaque para Matemática, Física, Química e Biologia - além de ministrar aulas de Inglês, Literatura e Língua Portuguesa. Seu interesse de pesquisa está centrado no ensino de matemática, sobretudo com os temas: livro didático, políticas públicas educacionais, ensino e aprendizagem na educação básica, tecnologias digitais no ambiente escolar e educação matemática. Integra o Grupo de Estudos e Pesquisa em Educação Matemática e Tecnologias (GEPEM@T) e o Grupo de Pesquisa em Educação Emocional (GRUPEE).

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Publicado

30-09-2024

Edição

Seção

Ciências Humanas - Pesquisa - Campus Erechim