Drosophila melanogaster COMO MODELO DE ESTUDO EM DOENÇA DE PARKINSON

UMA REVISÃO SISTEMÁTICA DE LITERATURA

Autores

  • Mariana Santos UFFS - Realeza
  • Tainara Lais Buratti
  • Stifani Machado Araujo Borstmann
  • Dalila Moter Benvegnú

Palavras-chave:

Fruit Fly, Drosophila melanogaster, Parkinson

Resumo

Animais invertebrados como a Drosophila melanogaster, (mosca-da-fruta), apresentam-se como um modelo de estudo eficiente e amplamente explorado, constituindo uma ferramenta genética para a compreensão de problemas biológicos complexos. Nesse contexto, a presente revisão analisou artigos publicados nos últimos cinco anos sobre o tema, em busca de resultados para a utilização da Drosophila como modelo de estudo para entender doenças neurodegenerativas, como o mal de Parkinson. Para isso foram utilizados os termos descritores “Fruit Fly”, “Drosophila melanogaster" e “Parkinson”, e as bases de dados utilizadas foram o Scielo e o PubMed. Somente os estudos envolvendo o modelo Drosophila para estudar a Doença de Parkinson foram selecionados e os demais excluídos. Após a aplicação dos critérios cinco artigos foram utilizados. O primeiro estudo destacou que a Drosophila melanogaster é um modelo que requer baixo custo de manutenção, pouca exigência de espaço e fácil manipulação, podendo fornecer dados importantes sobre a toxicidade de substâncias. Os efeitos tóxicos podem ser inicialmente avaliados pelos testes de sobrevivência das moscas à exposição à substância, sendo possível determinar a sua concentração letal média, além de ser possível verificar a capacidade da substância de promover alterações na capacidade locomotora dos insetos. O efeito tóxico está relacionado diretamente ao estresse oxidativo que pode ser mensurado por testes. Muitas propriedades biológicas, fisiológicas e neurológicas básicas são conservadas entre mamíferos e D. melanogaster, e acredita-se que quase 75% dos genes causadores de doenças humanas tenham um homólogo funcional na mosca. Dois estudos apontaram que muitos pesquisadores têm utilizado essas moscas como modelo para entender diversas doenças neurodegenerativas, uma vez que possuem homologia entre cinco dos seis genes relacionados à doença de Parkinson (DP) em humanos, incluindo dano mitocondrial, estresse oxidativo, agregação de proteínas, redução de neurônios dopaminérgicos, déficits locomotores e cognitivos. Um dos trabalhos aponta que a DP, é a segunda doença neurodegenerativa mais comum em pessoas com mais de 60 anos, afetando cerca de 1% da população mundial, caracterizada pela degeneração seletiva de neurônios dopaminérgicos na região compacta da substância negra e pela acumulação de corpos de Lewy. Atualmente os tratamentos disponíveis para a DP envolvem estratégias farmacológicas que retardam a evolução natural dos sintomas da doença através da estimulação dopaminérgica ou da inibição colinérgica e glutamatérgica. De fato, foi demonstrado que estes medicamentos melhoram alguns sintomas dos pacientes portadores da doença, porém, os medicamentos atuam restaurando temporariamente a função dopaminérgica, sem demonstrar ação protetora no processo de neurodegeneração. Além disso, existem alguns pontos que limitam ou prejudicam o uso e a eficácia desses medicamentos. Os resultados revelaram que a utilização da Drosophila melanogaster como modelo de estudo oferece uma abordagem promissora para o entendimento dos mecanismos subjacentes a essas doenças. Devido à sua simplicidade genética, baixo custo de manutenção e homologia significativa com genes humanos relacionados a doenças. Permite a realização de estudos detalhados sobre os efeitos tóxicos de substâncias, bem como sobre os processos de neurodegeneração. Embora
os tratamentos atuais para o mal de Parkinson apresentem limitações e não sejam capazes de interromper o avanço da neurodegeneração, a pesquisa com modelos como a Drosophila pode contribuir significativamente para o desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas, oferecendo uma esperança de avanços futuros no tratamento e na compreensão desta doença debilitante. 

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Publicado

12-10-2024

Edição

Seção

Ciências Biológicas - Pesquisa - Campus Realeza