CARDIOMIOPATIA HIPERTRÓFICA FELINA
UMA REVISÃO SISTEMÁTICA DA LITERATURA
Palavras-chave:
Diagnóstico, Prognóstico, Ecocardiografia, Gatos.Resumo
Em felinos, as cardiomiopatias podem ser classificadas com base na categoria fenotípica como: hipertrófica, restritiva, dilatada, arritmogenica do ventriculo direito e não determinada. A cardiomiopatia hipertrófica (CMH) é a mais predominante, acometetendo aproximadamente 15% da população felina em geral. Este estudo tem por objetivo realizar uma breve revisão sistemática da literatura acerca dos marcadores prognósticos da CMH na clínica médica de felinos. A pesquisa se deu através de busca na base de dados PubMed por meio dos seguintes termos descritores: cardiomyopathies, feline, hypertrophic, diagnosis, cats. Incluiu-se neste trabalho cinco artigos, em que todos caracterizaram a CMH como o aumento local ou difuso da espessura da parede do ventrículo esquerdo (VE), sem a presença de outra alteração que ocasione a doença. Observou-se nos cinco artigos o relato de maior ocorrência em gatos das raças Maine Coon e Ragdoll, sugerindo uma predisposição genética. Entretanto, a CMH é idiopática. Nota-se uma variedade de sinais clínicos: sopros, arritmias, inapetência, síncope e, em casos mais graves, tromboembolismo arterial (TEA) e insuficiência cardíaca congestiva (ICC), podendo evoluir para óbito. O primeiro estudo partiu da premissa de que as variações encontradas em exames ecocardiográficos do átrio esquerdo (AE), bem como a análise das funções sistólicas e diastólicas do VE serviriam como uma ferramenta auxiliar no prognóstico dos animais acometidos. Tal estudo também constatou que o risco da presença de alterações secundárias como TEA e ICC, bem como a gravidade da CMH, ocasionam o aumento da espessura do septo intraventricular e da parede livre do VE. A associação da dilatação do AE, da obstrução da via de saída e do aumento da espessura ventricular sugerem um prognóstico consideravelmente reservado nos pacientes com CMH. Em outro estudo, nota-se um enfoque maior no tamanho e função do AE e na diástole do VE como indicadores prognósticos, no qual foi relatado que gatos com dilatação de AE demonstraram maiores chances de desenvolver ICC e TEA, representando um pior prognóstico. Ademais, felinos com comprometimento da função do átrio apresentaram maior risco a eventos adversos e alterações nos padrões diastólicos, evidenciando isso a progressão da doença. Três estudos descreveram outras possibilidades de análise cardíaca para o risco de CMH, em que um relacionou o uso do biomarcador NT-proBNP aliado a ecocardiografia para a identificação da gravidade da doença, através de uma triagem inicial. O segundo tratou da medida da função longitudinal do VE com foco na excursão sistólica do plano anular aórtico, tal parâmetro foi significativamennte menor em gatos com CMH quando comparados a felinos saudáveis. O último trabalho, por sua vez, revisou o uso da eletrocardiografia (ECG) e do Holter no diagnóstico e no prognóstico da CMH. Os achados revelaram que gatos com CMH possuem maiores chances de apresentar distúrbios eletrofisiológicos, visto que o ECG auxilia na detecção primária de arritmias e gravidade da afecção, enquanto o Holter identificou animais com maior risco de graves complicações, como morte súbita. Assim, os artigos enfatizam a importância de uma abordagem multidisciplinar com o uso de exames complementares para o estadiamento da CMH felina.
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