HÉRNIA DIAFRAGMÁTIC PERITÔNIO PERICÁRDICA EM FELINO
RELATO DE CASO
Palavras-chave:
exames de imagem, tórax, assintomático, malformação, congênitoResumo
A hérnia diafragmática peritônio-pericárdica (HDPP) é uma condição congênita rara em felinos, caracterizada por uma comunicação anômala entre a cavidade peritoneal e o espaço pericárdico permitindo a migração de órgãos abdominais para o tórax. Muitos animais são assintomáticos, com diagnóstico frequentemente incidental em radiografias de rotina. Os sinais clínicos, quando presentes, incluem dificuldades respiratórias e sintomas gastrointestinais. O diagnóstico é feito por anamnese, exame físico e exames de imagem, e o tratamento é cirúrgico. Este relato objetiva descrever o caso de um felino sem raça definida, 7 meses, encaminhado à Superintendência Unidade Hospitalar Veterinária Universitária da Universidade Federal da Fronteira Sul, campus Realeza, com histórico de trauma automobilístico. O animal apresentava diástase da sínfise mentoniana, fratura nasal e do arco zigomático. Ao exame físico, observou-se taquipneia com padrão respiratório costoabdominal, hiperfonese de bulha à esquerda, exoftalmia do bulbo ocular direito e laceração no lábio inferior direito. Os demais parâmetros vitais estavam normais. O animal foi submetido a radiografias de crânio e tórax, além de ultrassonografia T-fast, sob anestesia com fármaco dissociativo (Zoletil®, 0,15 mg/kg) por via intramuscular e hipnótico (propofol em dose-resposta) por via intravenosa. O exame radiográfico do tórax revelou contiguidade entre a cavidade peritoneal e o saco pericárdico, com presença de vísceras abdominais junto à margem cardíaca caudal ventral, sugerindo deslocamento parcial do fígado. Esse achado foi confirmado pela ultrassonografia T-fast, diagnosticando HDPP e diástase da sínfise mandibular. O paciente foi submetido à aproximação da sínfise por osteossíntese com fio de aço em padrão X, sob anestesia geral. Para corrigir a HDPP, foi realizada celiotomia ventral mediana com extensão parcial para toracotomia esternal, envolvendo incisão da quarta esternébra até a cicatriz umbilical. Identificou-se defeito diafragmático ventral, com insinuação dos lobos laterais e médios direitos do fígado e porção do omento maior no saco pericárdico. Devido ao contato entre coração e fígado, a separação do pericárdio e diafragma foi feita com sutura em X usando fio polipropileno 3- 0, deixando a parte ventral do pericárdio aberta. Após o reposicionamento das vísceras e a higienização do campo operatório, realizou-se a fixação da artrotomia com fio de aço em padrão X. Em seguida, o diafragma foi suturado à parede torácica com fio náilon 2-0 em padrão X. A parede abdominal, o espaço morto e o subcutâneo foram aproximados com fio Poliglactina 910, 3-0, utilizando padrões simples contínuo, colchoeiro e zigue-zague, respectivamente. A dermorrafia foi feita com fio náilon 4-0 em padrão intradérmico. A pressão negativa do tórax foi restabelecida com um sistema de vácuo ativo e fixado com
faixas e bandagens. O animal exibiu boa recuperação pós-cirúrgica e foi liberado com prescrição medicamentosa. No pós-operatório, o paciente apresentou leve acúmulo de líquido no abdome e constipação, que foram tratados com a retirada do dreno e lactulose. Após 15 dias, o animal não apresentava sinais clínicos e as suturas foram removidas. O sucesso do caso deveu-se ao diagnóstico precoce, que permitiu a realocação completa dos órgãos herniados para sua posição anatômica, já que não havia aderências.
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