DESAFIOS NA ASSISTÊNCIA A PUÉRPERAS HAITIANAS EM UM HOSPITAL DE CHAPECÓ: ANÁLISE DAS BARREIRAS CULTURAIS E LINGUÍSTICAS

Autores

Palavras-chave:

Saúde de Migrantes, Período Pós-Parto, Assistência Perinatal

Resumo

A globalização tem intensificado os movimentos migratórios, e o Brasil destaca-se como um importante destino para migrantes de diversas nacionalidades, incluindo haitianos. Em Chapecó, cidade com cerca de 254.785 habitantes, vivem 17.422 estrangeiros, dos quais 3.414 são haitianos (IBGE, 2022). Esses migrantes enfrentam o desafio de se adaptar à cultura brasileira, ao idioma e ao Sistema Único de Saúde (SUS).  As diferenças culturais e a barreira linguística impactam profundamente o acesso e a qualidade dos serviços de saúde, especialmente para as mulheres haitianas, que enfrentam dificuldades adicionais durante a gestação e o puerpério. Este estudo visa analisar a assistência prestada a puérperas haitianas em um hospital de grande porte em Chapecó-SC, identificando as deficiências na acessibilidade e propondo melhorias para a qualidade do atendimento. Este estudo caracteriza-se como um relato de experiência com o objetivo de descrever as vivências de estudantes de Enfermagem durante as Atividades Teóricas e Práticas (ATP) do Componente Curricular (CCR) "O Cuidado no Processo de Viver Humano II", ministrado no primeiro semestre de 2024 na Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS). As observações foram realizadas no setor de maternidade de um hospital, que conta com 15 quartos, divididos em até três leitos, sala de amamentação, uma sala de cuidados ao recém-nascido (RN) e um posto de enfermagem. Ainda, apresenta alta rotatividade com puérperas e RNs permanecendo entre 24 e 48 horas após o nascimento. Ao longo de sete dias de imersão no setor, os estudantes acompanharam o pós-parto e pós-cesárea de diversas puérperas, permitindo uma análise abrangente das diferentes realidades e demandas em um hospital de grande porte. As puérperas e seus familiares foram entrevistados, e as dificuldades enfrentadas pelas haitianas foram registradas. Embora o SUS garanta o direito à saúde, migrantes, especialmente puérperas haitianas, enfrentam grandes barreiras. A barreira linguística é uma das principais, pois muitas puérperas não falam português fluentemente e os profissionais de saúde não dominam outros idiomas. Isso afeta a qualidade do atendimento e aumenta os riscos para mães e recém-nascidos. Além disso, diferenças culturais entre haitianos e brasileiros influenciam a percepção e adesão ao tratamento médico, gerando desentendimentos e desconforto. Esses desafios refletem a falta de preparo do sistema de saúde para atender adequadamente a população estrangeira. Para superar essas barreiras, é essencial capacitar profissionais em diversidade cultural e linguística, incluir tradutores e intérpretes, e promover políticas que incentivem a inclusão. Parcerias com organizações comunitárias que trabalham com migrantes também são importantes para facilitar o acesso a recursos e suporte. Essas medidas são fundamentais para garantir um atendimento digno e de qualidade para puérperas haitianas no Brasil.

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Publicado

24-09-2024

Edição

Seção

Ciências da Saúde - Ensino - Campus Chapecó