EVOLUÇÃO DA GEOGRAFIA AGRÁRIA NO BRASIL:
UMA ANÁLISE E CONCEITUAÇÃO
Palavras-chave:
Geografia Agrária, Reforma Agrária, Desigualdade, SustentabilidadeResumo
A ciência geográfica no Brasil começou a se consolidar na década de 1930 com a criação da escola de ciência geográfica, inicialmente a Geografia Agrária era centrada na análise técnica e econômica da agricultura. Durante as décadas de 1930 e até meados de 1960, os estudos eram predominantemente focados na diferenciação das áreas, sendo assim com a classificação e distribuição de produtos agrícolas por áreas, colonização, hábitat rural, paisagem rural, com o objetivo de compreender e dominar a agricultura e inicializando o período da industrialização e urbanização. Este período é marcado por uma abordagem determinista e regionalista. A partir dos anos 1970, a Geografia Agrária no Brasil experimentou uma transformação significativa com o surgimento da Geografia Agrária Crítica. Influenciada pelo contexto pós-regime militar e pela crescente necessidade de abordar questões ambientais e sociais, essa abordagem introduziu uma análise mais aprofundada das relações de poder e das desigualdades sociais que impactam o espaço rural. A Geografia Agrária Crítica, além de se apresentar numa linha marxista (materialismo histórico), ampliou o escopo dos estudos para incluir a análise das relações humanas e as implicações das políticas agrícolas sobre as comunidades rurais, destacando a exploração do trabalho e a modernização conservadora da agricultura, que resultou na diminuição da população rural e na concentração de terras. Com o advento do século XXI, a Nova Geografia Agrária emergiu após a Geografia Agrária Crítica, marcando uma nova fase na abordagem dos estudos geográficos, trazendo discussões que não haviam sido trabalhadas mesmo na Geografia Agrária Crítica. O estudo das relações entre atividades agrícolas e o espaço geográfico é abordado de maneira integrada e multifacetada, refletindo a complexidade dos processos e dinâmicas no meio rural. Esse campo analisa a distribuição e o uso da terra com um enfoque renovado, que considera não apenas a alocação de áreas para cultivos e pastagens, mas também as questões socioeconômicas e culturais envolvidas. A Nova Geografia Agrária examina a organização fundiária como os debates em torno das comunidades tradicionais no país. Transparecendo as relações de poder e das desigualdades sociais no campo, evidenciando a complexidade das questões socioeconômicas e ambientais. Essa Geografia Agrária não apenas examina os aspectos técnicos e econômicos da agricultura, mas também aborda temas como justiça ambiental, sustentabilidade e a desigualdade em questão do desenvolvimento rural. Essa abordagem se demonstra útil na compreensão de como as estruturas sociais e políticas influenciam a distribuição de recursos e a organização agrária, refletindo sobre a persistência de conflitos agrários e a desigualdade na distribuição da riqueza rural. Portanto, a evolução da Geografia Agrária no Brasil, desde sua fundação até o século XXI, revela uma mudança significativa na compreensão do espaço rural. Inicialmente centrada em abordagens técnicas e econômicas, a Geografia Agrária evoluiu para incorporar uma análise crítica das relações sociais e econômicas, evidenciando a complexidade dos desafios enfrentados no campo e a necessidade de uma abordagem integrada para abordar questões de desigualdade e sustentabilidade, se mostrando numa perspectiva decolonial.
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