EFEITO DA INFECÇÃO POR COVID-19 NA AUTOPERCEPÇÃO DA QUALIDADE DO SONO

Autores

  • Marcelo Augusto Landim Arteiro de Oliveira UFFS /Passo fundo
  • Lucas Dalla Maria
  • Gustavo Olszanski Acrani
  • Jossimara Polettini
  • Renata dos Santos Rabelo Bernardo
  • Shana Ginar da Silva
  • Ivana Loraine Lindemann

Palavras-chave:

covid-19; qualidade do sono; bem estar; pandemia; impacto psicológico.

Resumo

O sono é uma necessidade humana básica, sendo a autopercepção da sua qualidade um marcador importante. Atualmente é uma das temáticas mais evidentes no cenário da pesquisa em saúde, pois há evidências de que seus distúrbios têm impactos negativos na qualidade de vida e na longevidade da população. Nesse contexto, a pandemia de Coronavirus disease (COVID-19) foi um evento traumático para milhões de pessoas, cuja infecção não apenas afetou órgãos-alvo de uma patologia infecto contagiosa, mas também afetou critérios subjetivos do cotidiano dos pacientes.O presente estudo buscou caracterizar aspectos sociodemográficos e comportamentais de pacientes infectados por COVID-19 e descrever a prevalência da autopercepção negativa da qualidade do sono antes e após a infecção. Trata-se de um estudo epidemiológico, transversal e descritivo, realizado em Passo Fundo, Rio Grande do Sul, com aprovação ética (parecer nº 5.453.565). Foram considerados elegíveis os indivíduos que estiveram internados e receberam alta hospitalar no período de 1º de setembro de 2021 a 30 de setembro de 2022, com diagnóstico confirmado de COVID-19, residentes na zona urbana do município, de ambos os sexos e com idade igual ou superior a 18 anos. Foram excluídos aqueles que apresentaram qualquer deficiência cognitivo-funcional que impossibilitasse a coleta de dados. A coleta de dados foi realizada em visitas domiciliares após a internação hospitalar, por meio da aplicação de um questionário. As variáveis analisadas incluíram sexo, idade, cor da pele, estado civil, escolaridade, atividade remunerada, tabagismo e ingestão de bebida alcoólica. A autopercepção negativa da qualidade do sono foi avaliada pelo agrupamento das respostas “regular” e "ruim” às perguntas “Qual a sua percepção sobre a qualidade do seu sono antes da infecção?” e “Qual a sua percepção sobre a qualidade do seu sono após a infecção?”. Para as variáveis categóricas, foram descritas as frequências absolutas (n) e relativas (%). Também foi verificada a prevalência da autopercepção negativa da qualidade do sono antes e após a COVID-19, com intervalo de confiança de 95% (IC95). A amostra foi composta de 162 participantes, na qual destacam-se indivíduos do sexo feminino (53,1%), com mais de 60 anos (67,4%), de cor branca (71,0%), com cônjuge (58,0%), com ensino fundamental completo (47,5%), não realizando atividade remunerada (75,3%) e tabagistas (41,6%). Quanto à ingestão de bebida alcoólica, a distribuição foi semelhante. A autopercepção negativa da qualidade do sono antes da infecção era de 18,6% (IC95 13,1-25,1). Posteriormente à infecção, a prevalência da autopercepção negativa da qualidade do sono foi de 46,9% (IC95 39,3-54,6). Os resultados indicam um aumento significativo na autopercepção negativa da qualidade do sono após a infecção por COVID-19, evidenciando que essa patologia não afetou apenas órgãos-alvo, mas impactou toda a vida do paciente. Isso pode ser observado nos resultados, uma vez que até mesmo o sono, que não é prioritariamente afetado pelo espectro patológico da doença, foi acometido. Isso demonstra que os impactos da pandemia na saúde são complexos e necessitam de uma abordagem abrangente para serem totalmente compreendidos e tratados.

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Publicado

04-10-2024

Edição

Seção

Ciências da Saúde - Pesquisa - Campus Passo Fundo