Interseção ou diferença? A matemática e a música no currículo do Novo Ensino Médio em Santa Catarina

Autores

Palavras-chave:

matemática, música, políticas curriculares

Resumo

Historicamente, a música e a matemática foram vistas como disciplinas complementares, principalmente por serem alocadas no chamado quadrivium, sendo elementos essenciais para a formação de um indivíduo (Bromberg & Saito, 2017). No entanto, hoje podem ser encontradas nos currículos escolares, em que a Matemática é um componente curricular obrigatório e a Música passa a ser um conteúdo que se encontra no componente curricular obrigatório de Artes. 

O presente trabalho, constitui em um recorte de uma pesquisa de dissertação de mestrado em andamento (Pós Graduação em Educação- UFFS Chapecó), e propõe uma análise documental do currículo de Santa Catarina no contexto da Lei nº 13.415/2017. Essa Lei estabeleceu uma reforma profunda na estrutura da educação básica brasileira, instituindo o chamado Novo Ensino Médio (NEM) e alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), organizando o currículo por áreas do conhecimento e introduzindo os itinerários formativos, com o objetivo de flexibilizar a formação dos estudantes. Nesse cenário, o estado de Santa Catarina sistematizou suas diretrizes por meio do Currículo Base do Território Catarinense (CBTC), esse documento busca alinhar as competências da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) às especificidades regionais, o que pode ser um desafio significativo para a manutenção da interdisciplinaridade, especialmente no diálogo entre a Matemática e a Música.

O  título deste trabalho remete à matemática em operações entre conjuntos matemáticos, pois a sua relevância justifica-se em compreender se esta comunicação na estrutura atual do currículo permite uma verdadeira interseção ou se ainda vivemos sob a égide da diferença, onde somente a Matemática está presente no currículo sem a articulação com a Música, sendo a diferença responsável por silenciar possíveis diálogos interdisciplinares fundamentais.

A compreensão do CBTC sob a ótica da Reforma do Ensino Médio exige uma análise que ultrapasse a dimensão meramente burocrática do documento. Conforme pontua Sacristán (2000), o currículo deve ser compreendido como uma práxis, um projeto de cultura que reflete tensões e intenções políticas, moldando a experiência educativa. Nesse sentido, a análise da integração entre Matemática e Música em Santa Catarina revela as disputas pelos 'territórios das disciplinas', conceito explorado por Ivor Goodson (1997). Para o autor, as disciplinas não são blocos estáticos de conhecimento, mas construções sociais cujas fronteiras e prestígios são renegociados em momentos de reforma. Assim, investigar a interface entre a racionalidade lógica e a sensibilidade artística no currículo catarinense permite identificar como a nova legislação reconfigura esses domínios, podendo tanto silenciar diálogos históricos quanto abrir novos caminhos para a interdisciplinaridade.

Biografia do Autor

  • Prof. Dra. Nilce Fátima Scheffer, Uffs

    Pós-Doutora em Educação Matemática pela RUTGERS Universidade do Estado de Nova Jersey - EUA; Mestre e Doutora em Educação Matemática – UNESP – Rio Claro SP; Professora da Universidade Federal da Fronteira Sul-UFFS: Programas PPGE, e PPGPE, Líder do Grupo de Pesquisa: TIC, Matemática e Educação Matemática-GPTMEM UFFS.

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Publicado

01-06-2026