Influência do ambiente de cultivo na qualidade química e bioativa de maracujá-doce: uma abordagem comparativa entre o Oeste Catarinense e o Sudeste Paulista

Autores

  • Guilherme Leardini Batista UFFS
  • Daniele G. P. Sartori
  • Angela A. S. Almeida
  • Jhonatan A. Marcante
  • Vanderlei Smaniotto
  • Moises A. Barbosa
  • Thiago V. Rech
  • Clevison L. Giacobbo

Palavras-chave:

Passiflora alata, nutracêuticos, terroir, fruticultura, pós-colheita

Resumo

O maracujá-doce (Passiflora alata Curtis) é uma fruta nativa de elevado valor comercial e sensorial, cujos atributos qualitativos e teores de compostos funcionais podem ser modulados pelas condições edafoclimáticas da região de cultivo (terroir). O objetivo deste estudo foi avaliar e comparar o perfil físico e a composição química e bioativa de frutos de maracujá-doce provenientes de duas áreas de cultivo distintas. O estudo foi conduzido em um pomar experimental na Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), em Chapecó-SC, e em um pomar comercial, em São Miguel Arcanjo-SP. As plantas foram originárias do mesmo viveiro e o manejo dos pomares seguiu as exigências técnicas para a cultura. O experimento foi conduzido sob delineamento inteiramente casualizado (DIC), avaliando-se o fator local de cultivo, com três repetições biológicas por região. Os dados foram submetidos ao teste t de Student para amostras independentes, com nível de significância de 5% (α = 0,05). No que tange aos atributos físicos, avaliados por meio da massa total, massa da polpa e espessura da casca, a análise estatística revelou que não houve diferença significativa entre as duas regiões (p > 0,05). Os valores médios registrados para Chapecó-SC e São Miguel Arcanjo-SP foram, respectivamente: massa total (564,03 g e 435,80 g; p = 0,320), massa da polpa (86,43 g e 94,35 g; p = 0,684) e espessura da casca (18,19 mm e 15,74 mm; p = 0,403). Por outro lado, em relação aos atributos químicos e parâmetros funcionais, o teste t evidenciou diferenças significativas entre as regiões apenas para o teor de sólidos solúveis (p = 0,044) e açúcares redutores (p = 0,012). Os frutos cultivados em Chapecó-SC destacaram-se com médias superiores para sólidos solúveis (15,60 °Brix) e açúcares redutores (3,09 g/100 mL), em comparação aos de São Miguel Arcanjo-SP (14,97 °Brix e 2,24 g/100 mL, respectivamente). As demais variáveis químicas mantiveram comportamento equivalente entre as regiões (p > 0,05), com médias para Chapecó-SC e São Miguel Arcanjo-SP de: fenóis totais (69,51 e 59,46 mg GAE/100 mL; p = 0,331), açúcares totais (6,84 e 6,69 g/100 mL; p = 0,814), atividade antioxidante (52,28% e 42,04%; p = 0,123) e teor de vitamina C (77,46 e 58,42 mg/100 mL; p = 0,123). Conclui-se que o ambiente de cultivo exerce influência seletiva na composição do maracujá-doce, alterando os parâmetros químicos determinantes para o sabor e a doçura da fruta (sólidos solúveis e açúcares redutores) em favor do pomar experimental de Chapecó-SC, possivelmente pela maior amplitude térmica, ao passo que as características estruturais físicas e o potencial funcional geral da polpa demonstram estabilidade adaptativa entre as regiões estudadas.

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Publicado

19-06-2026