Germinação de sementes e crescimento de plântulas do porta-enxerto ‘Flying Dragon’ submetidas a tratamentos para modificação da superfície através de plasma não térmico
Palavras-chave:
Citros, propagação de plantas, enxertiaResumo
O uso de porta-enxertos na citricultura é essencial para sua exploração comercial. ‘Flying Dragon’ ou FD, Poncirus trifoliata (L.) Raf. = Poncirus trifoliata var. monstrosa, constitui uma opção viável com vistas à redução de vigor da copa, tolerância ao frio, imunidade à tristeza, boa adaptação a solos pesados e resistência à gomose de Phytophthora. No entanto, do ponto de vista comercial de formação de mudas, este genótipo tem sido preterido em função do crescimento lento no viveiro, especialmente em regiões frias, além da baixa germinação. Com o intuito de pesquisar tratamentos que contornam essas desvantagens, o estudo objetivou avaliar a eficiência do plasma na germinação das sementes de FD e crescimento das plântulas. O experimento foi implantado em abril de 2024 com sementes oriundas do campo de plantas fornecedoras de sementes de porta-enxertos da EPAGRI/EEI e transportadas ao Laboratório de Plasmas da UDESC para tratamentos. Após os tratamentos, retornaram à EPAGRI/EEI para semeadura em substrato comercial em casa-de-vegetação. Ao término de 87 dias, realizou-se a contagem do número de sementes germinadas e medição da parte aérea (PA) e do sistema radicular (SR) das plântulas com auxílio de uma régua milimetrada. A técnica de deposição de revestimento por plasma não térmico se deu pela Descarga por Barreira Dielétrica (DBDs), utilizando argônio como gás de tratamento. Os tratamentos consistiram em: reator tipo gaiola catódica com tempo de tratamento de 1 e 2 minutos (gaiola 1’ e gaiola 2’); reator de radiofrequência com tempo de tratamento de 15 segundos, 30 segundos e 1 minuto (RF 15”, 30” e 1’); apenas vácuo e controle. Os resultados indicam que os tratamentos para modificação da superfície não aumentaram a taxa de germinação, mas aumentaram a homogeneidade desse processo. O tratamento controle apresentou a maior taxa de germinação (51%), seguido de RF 30” (31%), gaiola 2’ e RF 15” (ambos 20%), gaiola 1’ (18%) e RF 1’ (13%). Os tratamentos para modificação da superfície das sementes não apresentaram diferenças estatísticas em relação ao controle para a variável altura (PA). No entanto, para a variável comprimento do SR, o tratamento RF 1’ (8,9 ± 1,33 mm) resultou efeito significativo e diferença estatística em relação aos tratamentos controle e gaiola 1’ (7,2 ± 1,74 mm e 7,4 ± 0,89 mm, respectivamente). Os resultados sugerem possível efeito deletério às sementes, indicando a necessidade de ajustes no tempo de exposição aos tratamentos com plasma, bem como maior compreensão acerca do reator a ser utilizado.
