Fenologia e requerimento térmico da videira ‘Bordô’ cultivada na região do Planalto Norte Catarinense – safra 2023/2024.

Autores

  • Bruno Skraba Junior IFSC
  • Caroline De Souza Wisniewski
  • Júlia Aime Dybas
  • Douglas André Wurz

Palavras-chave:

Vitivinicultura, fenologia, adaptabilidade varietal.

Resumo

A videira ‘Bordô’ (Vitis labrusca L.) apresenta grande rusticidade e possui aptidão para a elaboração de sucos e vinhos encorpados, com intensidade de cor e matiz, proporcionando boa aceitação pelo consumidor. No entanto, seu desempenho pode variar em função das condições edafoclimáticas do local de cultivo, tornando-se necessário caracterizar suas fases fenológicas, a fim de avaliar se o local de implantação do vinhedo garantirá as condições climáticas exigidas pela cultivar, bem como planejar os manejos a serem executados, como a poda e a colheita das uvas. Nesse contexto, tem-se como objetivo deste trabalho avaliar a fenologia e o requerimento térmico da videira Bordô cultivada na região do Planalto Norte Catarinense. O presente trabalho foi conduzido durante a safra 2023/2024, em um vinhedo comercial situado no município de Canoinhas – SC, onde foi avaliada a variedade ‘Bordô’, cultivada sobre porta-enxerto VR 043-43, em sistema de sustentação manjedoura. Foram utilizados dados climáticos da Estação Meteorológica da Epagri/Ciram, localizada no Instituto Federal de Santa Catarina, Câmpus Canoinhas. A avaliação fenológica foi realizada semanalmente, considerando a duração, em dias, dos estádios fenológicos: brotação, floração, veraison e colheita. Para a caracterização das exigências térmicas, utilizou-se o somatório de graus-dia (GD), desde a brotação até a colheita. A avaliação dos resultados obtidos foi realizada por meio de análise descritiva dos dados. A variedade Bordô apresentou brotação em 06 de setembro, com duração de 27 dias até a florada (03 de outubro), acumulando 283,75 graus-dia nesse período. Da florada ao veraison (21 de dezembro), foram necessários 79 dias e um acúmulo térmico de 923,97 graus-dia, caracterizando esta como a fase mais longa do ciclo fenológico. O intervalo entre veraison e colheita (23 de janeiro) foi de 33 dias, com acúmulo adicional de 475,32 graus-dia. O ciclo completo, da brotação à colheita, totalizou 139 dias, com somatório térmico de 1658,64 graus-dia, indicando adaptação da cultivar às condições edafoclimáticas do período avaliado. O teor de sólidos solúveis na colheita foi de 14,5 °Brix, valor compatível com o potencial da cultivar para processamento, especialmente na elaboração de sucos e vinhos. De forma geral, observa-se que o desenvolvimento fenológico foi contínuo e bem definido, com maior exigência térmica concentrada entre a florada e o veraison, etapa determinante para o acúmulo de açúcares e a maturação dos frutos. Esses resultados contribuem para o entendimento do comportamento da variedade Bordô na região estudada, subsidiando o manejo e a definição de práticas vitícolas mais eficientes.

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Publicado

19-06-2026