Carga de ramos e porta-enxertos alteram a produtividade e a incidência de Botrytis cinerea em videiras “Sauvignon Blanc” de altitude

Autores/as

  • Matheus Luís Docema Epagri
  • João Felippeto Epagri
  • Alessandra Aparecida de Sá Nunes Epagri
  • Maíra Maciel Tomazzoli Specht Epagri
  • Emilio Brighenti Epagri

Palabras clave:

Vitis vinifera L., manejo do dossel, sanidade de cachos

Resumen

A vitivinicultura da Serra Catarinense destaca-se pela produção de vinhos finos de altitude e possui grande importância socioeconômica para a região. Entretanto, a definição da carga ramos por planta ainda representa um desafio, pois influencia simultaneamente a produtividade, a qualidade das uvas e a incidência de doenças fúngicas, como a podridão cinzenta (Botrytis cinerea). O objetivo do trabalho foi avaliar a influência de diferentes porta-enxertos e cargas de ramos sobre a produção e a incidência de podridão cinzenta em videiras “Sauvignon Blanc”, em São Joaquim, Santa Catarina, no ciclo 2025/2026. O experimento foi conduzido na Estação Experimental de São Joaquim (Epagri) (28°16'30,01"S, 49°56'11,36"O; 1.415 m de altitude), utilizando videiras “Sauvignon Blanc” enxertadas sobre dez porta-enxertos (101-14 Mgt, 3309 C, 110-R, 99-R, 1103 Paulsen, Kober 5 BB, SO4, 420 A, Gravesac e IAC-766). As plantas foram submetidas a quatro cargas de ramos (32, 28, 24 e 20 ramos planta⁻¹), em delineamento experimental fatorial 10 × 4, com quatro repetições e quatro plantas úteis por parcela. A incidência de Botrytis cinerea foi avaliada na colheita (30/03/2026), por meio da porcentagem de cachos com sintomas da doença (massa micelial acinzentada), e os dados foram submetidos à análise de variância e ao teste de Tukey (p≤0,05). A incidência de Botrytis foi influenciada tanto pela carga de ramos quanto pelos porta-enxertos. A redução da carga de ramos promoveu diminuição da incidência da doença, passando de 15,8% em plantas conduzidas com 32 ramos planta⁻¹ para 4,0% em plantas conduzidas com 20 ramos planta⁻¹, evidenciando a importância do manejo do dossel para a sanidade do vinhedo. Entre os porta-enxertos, IAC-766 apresentou a maior incidência média da doença (27,5%), seguido por 1103 Paulsen (17,5%) e SO4 (14,4%). Os menores níveis da doença foram observados em 3309 C (0,0%) e 101-14 Mgt (0,6%), entretanto, esses materiais também apresentaram as menores produtividades, com médias de 1,73 e 2,26 kg planta⁻¹, respectivamente. Em contraste, as videiras enxertadas sobre 420 A (5,57 kg planta⁻¹), 110-R (4,76 kg planta⁻¹), 99-R (4,46 kg planta⁻¹) e Kober 5 BB (3,69 kg planta⁻¹) apresentaram elevadas produtividades associadas a baixa ou moderada incidência da doença. Os resultados sugerem que as diferenças observadas entre os porta-enxertos possam estar relacionadas ao vigor vegetativo induzido por cada material e às consequentes alterações no microclima do dossel. Porta-enxertos associados à formação de copas mais densas tenderam a apresentar maiores níveis de incidência da doença, indicando que o aumento do sombreamento e da umidade no interior do vinhedo pode favorecer o desenvolvimento da podridão cinzenta. Dessa forma, o manejo da carga de ramos e da densidade vegetativa constitui uma estratégia importante para reduzir a incidência de Botrytis em vinhedos de “Sauvignon Blanc”, nas condições edafoclimáticas de São Joaquim, SC.

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Publicado

19-06-2026