Aspectos da agrossilvicultura da palmeira juçara para produção de frutos em SC

Autores/as

  • Fábio Martinho Zambonim Epagri
  • Gabriel Barros Meirelles Barros Meirelles
  • Alexandre Luiz Prada Epagri
  • Glauco Lindner Epagri/GRS. Rio do Sul

Palabras clave:

Açaí; Fruticultura; E. edulis

Resumen

O “açaí” é um produto obtido a partir do processamento dos frutos de palmeiras do gênero Euterpe da família Arecaceae. Na região Norte do Brasil, maior produtora nacional, é obtido dos frutos das palmeiras E. Oleracea e E. precatoria, nas regiões Sul e Sudeste da palmeira juçara (E. edulis). O objetivo desse trabalho foi caracterizar o arranjo produtivo da fruticultura da palmeira juçara em SC. As considerações apresentadas estão fundamentadas em visitas técnicas, reuniões e seminários com atores da cadeia produtiva. As áreas consideradas climaticamente aptas para a fruticultura da palmeira juçara representam aproximadamente 30,0% do território de Santa Catarina (Litoral,Vale do Itajaí, Vale do Rio Uruguai). Em Santa Catarina a produção de frutos destinados à indústria é proveniente de: a) Quintais agroflorestais: áreas pequenas próximas às residências, constituídas de diversas espécies frutíferas para auto consumo; b) cultivos consorciados banana x juçara: a palmeira ocupa o dossel superior, com densidade entre 200 e 600 palmeiras ha-1, sombreando as bananeiras; c) Sistemas agroflorestais silvibananeiros: dossel superior composto por arbóreas nativas (entre 40 a 60 árvores/ha), no estrato médio situa-se a palmeira juçara (entre 200 e 400 palmeira/ha) com bananeiras no estrato inferior, observa-se a tendência de ampliação dos cultivos de café arábica sob a bananeira nesses sistemas. Em levantamento realizado no ano de 2025, foram identificadas 10 agroindústrias, distribuídas na região litorânea e no Vale do Itajaí, que processam açaí comercialmente. Estimou-se, no ano de 2025, o total de 262.000 kg de frutos processados de juçara no estado, distribuídos entre os municípios de Garuva (200.000 kg), Joinville (5.000 kg), Presidente Getúlio (8.000 kg), Itajaí (6.000 kg), Antônio Carlos (5.000 kg), São Pedro de Alcântara (3.000 kg), Florianópolis (10.000 kg), Paulo Lopes (2.000 kg) e Praia Grande (23.000 kg). As agroindústrias possuem áreas próprias de produção e adquirem de produtores parceiros. O preço pago ao produtor pelo fruto colhido, selecionado e entregue na agroindústria varia de R$ 3,50 a 6,00 por kg. Muitas agroindústrias possuem equipes de colheita e nesses casos o preço pago ao produtor é na faixa de R$ 2,00 a 3,50 por kg de fruto. A produção de açaí catarinense é comercializada em redes locais de mercados ou empórios, diretamente aos consumidores, em feiras locais agroecológicas e via PNAE. Dentre as oportunidades da atividade em SC, destacam-se: a) A possibilidade do açaí catarinense ganhar espaço no mercado interno, uma vez que o estado é majoritariamente abastecido com açaí da região norte do país; b) Oferta de frutos maduros durante os 12 meses do ano, considerando as diferentes regiões de cultivo no estado; c) a ampliação de seu cultivo, tanto consorciado com a banana, atividade que ocupa cerca de 28.000 ha em SC, como em sistemas agroflorestais diversificados nos projetos de regularização ambiental. Aspectos da legislação ambiental que tratam de desbastes e podas de espécies nativas, práticas inerentes à condução técnica desses sistemas, constituem um entrave ao manejo agroflorestal da palmeira juçara, vislumbra-se como solução a construção e implementação de uma modalidade de certificação/licenciamento de áreas de manejo agroflorestal com espécies nativas insapirada em iniciativa exitosa praticada pela Secretaria de Meio Ambiente do RS.

Biografía del autor/a

  • Gabriel Barros Meirelles, Barros Meirelles

    Engenheiro Agronomo. 

  • Alexandre Luiz Prada, Epagri

    Eng. Agrônomo. Extensionista Rural. Epagri/GRS

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Publicado

19-06-2026