Aplicação de bioinsumos melhora as características vegetativas das plantas e a qualidade dos frutos do morangueiro
Palabras clave:
Pós-colheita, Ácidos orgânicos, Extrato de algasResumen
Os bioinsumos podem melhorar o desenvolvimento vegetativo do morangueiro (Fragaria x ananassa Dush) e aprimorar as características físico-químicas dos frutos, especialmente em sistemas hidropônicos onde o uso intenso de insumos químicos gera condições de estresse para as plantas. O objetivo deste trabalho foi avaliar o efeito da aplicação de bioinsumos compostos por ácidos orgânicos (húmicos + fúlvicos) e extrato de algas (Ascophyllum nodosum) sobre o desenvolvimento vegetativo das plantas e as características físico-químicas dos frutos do morangueiro. O experimento foi conduzido em estufa agrícola com uso de substrato (slabs) em delineamento de blocos ao acaso com 4 repetições dos tratamentos: controle (C); ácidos orgânicos no substrato (AOS); ácidos orgânicos na folha (AOF); extrato de algas no substrato (EAS); e extrato de algas na folha (EAF). As doses de aplicação utilizadas foram definidas em estudos toxicológicos preliminares com a abobrinha (Curcubita pepo), sendo equivalentes a 10 L ha-1 para aplicação no substrato e 2 L ha-1 para aplicação foliar. Avaliou-se as características vegetativas como número de coroas (NC), massa seca de coroas (MSC), massa seca de parte aérea (MSA) e massa seca de raiz (MSR); além de características físico-químicas dos frutos como sólidos solúveis (SS), acidez titulável (AT), firmeza de polpa (FP) e teor de vitamina C (VC). Os dados foram submetidos a análise de variância (ANOVA) e quando houve significância utilizou-se o Tukey (P ≤ 0,05) para verificar a diferença entre os tratamentos. A ANOVA foi significativa (P ≤ 0.001), onde os tratamentos AOS e AOF apresentaram maior NC (AOS = 6,19 ± 0,79 coroas planta-1; AOF = 5,88 ± 0,41 coroas planta-1) e MSC (AOS = 9,09 ± 0,67 g planta-1; AOF = 8,73 ± 0,39 g planta-1). Para a variável MSA os tratamentos AOS (47,65 ± 2,31 g planta-1), AOF (46,91 ± 2,04 g planta-1) e EAF (47,20 ± 1,17 g planta-1) não apresentaram diferença estatística entre si, porém as médias foram superiores em relação ao EAS (41,13 ± 2,02 g planta-1) e C (42,41 ± 1,06 g planta-1). As maiores médias de MSR foram encontradas nos tratamentos AOF (19,84 ± 2,80 g planta-1) e EAF (20,21 ± 1,80 g planta-1). Assim, a aplicação dos ácidos orgânicos e do extrato de algas melhorou o desenvolvimento vegetativo do morangueiro devido ao efeito bioestimulante já conhecido desses compostos, especialmente pela via foliar. Independentemente da via de aplicação, o uso dos bioinsumos resultou em morangos com maiores teores de SS (AOS = 8,82 ± 0,60 ºBrix; AOF = 8,80 ± 0,63 ºBrix; EAS = 8,92 ± 0,77 ºBrix; EAF = 9,07 ± 0,81 ºBrix), VC (AOS = 47,66 ± 3,94 mg 100 mL-1; AOF = 47,06 ± 3,81 mg 100 mL-1; EAS = 49,40 ± 3,85 mg 100 mL-1; EAF = 49,39 ± 2,80 mg 100 mL-1) e FP (AOS = 3,04 ± 0,44 N; AOF = 2,84 ± 0,30 N; EAS = 2,35 ± 0,34 N; EAF = 2,94 ± 0,45 N). Por outro lado, a AT dos morangos foi maior no C [115,00 ± 5,63 mg Ácido Cítrico (AC)] e no EAS (106,57 ± 5,01 mg AC) quando comparados aos tratamentos AOS (84,86 ± 5,08 mg AC), AOF (97,08 ± 4,76 mg AC) e EAF (96,50 ± 4,59 mg AC). Portanto, a aplicação dos bioinsumos resultou em frutos mais resistentes que podem sofrer menos danos mecânicos nos processos de colheita, manuseio e transporte. Além disso, os SS e a AT estão diretamente ligados ao sabor dos frutos e seu índice de doçura, sendo esses fatores fundamentais na aceitação dos morangos para o consumo in natura. Conclui-se que a aplicação dos bioinsumos melhora o desenvolvimento vegetativo do morangueiro e resulta em frutos com características físico-químicas aprimoradas.
