Caracterização da produção de mudas de espécies florestais e frutíferas nativas em viveiros do Rio Grande do Sul

Autores/as

  • Renato Trevisan UFSM
  • Gabriele Lucion da Silva Universidade Federal de Santa Maria
  • Suzimary Specht Universidade Federal de Santa Maria

Palabras clave:

restauração ecológica, produção de mudas, biodiversidade vegetal.

Resumen

A crescente degradação ambiental nos biomas Mata Atlântica e Pampa tem intensificado a necessidade de ações de restauração ecológica, aumentando a demanda por mudas de espécies florestais nativas. Nesse contexto, os viveiros florestais desempenham papel estratégico no fornecimento de material vegetal para programas de recuperação de áreas degradadas, recomposição florestal e arborização urbana e também para o cultivo de frutíferas nativas de interesse ecológico e econômico. Entretanto, ainda são escassas as informações sistematizadas sobre a estrutura e a capacidade produtiva desses empreendimentos no estado do Rio Grande do Sul. Diante disso, o presente trabalho teve como objetivo diagnosticar e caracterizar viveiros produtores de mudas de espécies florestais e frutíferas nativas no estado, avaliando aspectos estruturais, produtivos e legais relacionados à atividade. O estudo foi realizado por meio da aplicação de um questionário estruturado contendo 17 perguntas objetivas e discursivas, disponibilizado na plataforma Google Docs e enviado a 50 viveiros, utilizando-se e-mail e aplicativo WhatsApp como meios de contato. Participaram da pesquisa 25 viveiros (50% dos contatados), abrangendo diferentes regiões do estado. Os resultados indicaram grande variação no porte dos viveiros, com áreas entre 100 e 90.000 m² e produção anual média que variou de até 10 mil a mais de 200 mil mudas. A maioria dos viveiros possui mais de 12 anos de atuação e apresenta formação superior ou técnica entre os responsáveis. Foram citadas 58 espécies nativas produzidas, pertencentes a 21 famílias botânicas, destacando-se espécies das famílias Myrtaceae e Fabaceae que incluem diversas frutíferas nativas. As principais finalidades da produção são recuperação de áreas degradadas, recomposição florestal, arborização urbana e paisagismo. Em relação à legislação, apenas 56% dos viveiros relataram possuir cadastro no Registro Nacional de Sementes e Mudas (RENASEM), evidenciando lacunas na regularização do setor. Conclui-se que os viveiros de espécies nativas possuem papel fundamental no suporte a iniciativas de restauração ambiental e na valorização de frutíferas nativas no Rio Grande do Sul, porém ainda existem desafios relacionados à organização das informações do setor, acesso a dados oficiais e adequação plena à legislação.

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Publicado

19-06-2026