Desempenho agronômico da cv. Hass no litoral catarinense: resultados de três safras consecutivas
Keywords:
Persea americana Mill., fenologia, abacaticultura, eficiência produtivaAbstract
A crescente valorização do abacate no mercado nacional e internacional tem impulsionado a expansão do cultivo da cultivar Hass no Brasil, incluindo regiões subtropicais até então consideradas marginais. No litoral de Santa Catarina, condições edafoclimáticas específi cas, como alta umidade relativa e invernos amenos, despertam interesse técnico quanto à viabilidade da produção comercial. Este estudo objetivou acompanhar o desempenho agronômico de plantas de abacateiro Hass cultivadas próximo ao litoral catarinense, entre as safras 2023 e 2025, com foco em indicadores de produtividade e eficiência. O experimento foi realizado no município de Nova Trento (27°15′34″ S, 48°56′54″ O, altitude 78 m), Santa Catarina. Um pomar monovarietal foi implantado em 2020, com mudas enxertadas sobre porta-enxertos obtidos a partir de sementes. Para o acompanhamento da fenologia foi utilizada a escala BBCH. Utilizou-se a referida escala do Estádio 5 – Desenvolvimento Reprodutivo até o fruto estar pronto para a Colheita Comercial – Estádio 719. No momento da colheita foram avaliados o número de frutos por planta, a produtividade individual, a produtividade estimada por hectare e a eficiência produtiva, calculada a partir do volume de copa estimado por modelo elipsoidal. A brotação das gemas reprodutivas ocorre em 24/jul. ± 9; inflorescências com 50% do comprimento final ocorre em 8/ago. ± 9; a abertura das primeiras flores, em 22/ago. ± 11; 50% das flores abertas, em 9/set. ± 7; plena florada, em 15/set. ± 6; crescimento inicial do ovário, em 20/set. ± 5; primeira onda de abscisão do fruto, em
26/set. ± 5; frutos prontos para colheita comercial, em 11/abr. ± 14. As condições de cultivo do abacateiro cv. Hass sob clima subtropical úmido do litoral catarinense apresentam ocorrência dos estádios em épocas semelhantes àquelas apresentadas nas principais áreas de cultivo da variedade no sudeste do país. Os resultados referentes aos índices produtivos mostram avanço consistente do pomar nas três safras. O número médio de frutos por planta passou de 55 (2023) para 92 (2024) e 108,2 (2025), enquanto a produtividade individual evoluiu de 9,3 kg para 17,7 kg e 19,9 kg, respectivamente. A produtividade estimada por hectare aumentou de 5,8 t/ha para 12,4 t/ha. Já a eficiência produtiva, que é um importante indicador do aproveitamento estrutural da planta, passou de 0,87 kg/m³ na primeira safra para 1,42 kg/m³ em 2025. Essa progressão reflete o avanço do pomar rumo à maturidade fisiológica e redução gradual da heterogeneidade entre plantas. A curva positiva das variáveis avaliadas sugere boa adaptação da cultivar Hass às condições litorâneas catarinenses e destaca a relevância do monitoramento de indicadores estruturais e produtivos desde os primeiros anos de cultivo. Tais informações são estratégicas para o planejamento de manejo e expansão do cultivo da variedade em regiões de clima subtropical úmido.
