Qualidade na pós-colheita de frutos de pessegueiro submetido a doses de nitrogênio

Autores

Palavras-chave:

adubação nitrogenada, podridões, distúrbios fisiológicos, nutrição de plantas, Prunus persica L.

Resumo

Doses adequadas de nitrogênio (N) estimulam o crescimento vegetativo das plantas e possibilitam altas produtividades de frutos. Porém, estes frutos precisam também apresentar atributos que permitam a manutenção da qualidade após a colheita e quando são selecionados pelo consumidor para a compra. Em pessegueiro, têm-se poucos resultados de pesquisa mostrando a relação entre o fornecimento de N e a qualidade em pós-colheita. O objetivo do estudo foi avaliar o impacto das doses de N sobre a qualidade de frutos de pessegueiro armazenados em câmara-fria. O experimento foi conduzido durante cinco safras (2019 à 2024) em pessegueiros da cultivar “BRS Fascínio” em Fraiburgo (SC). Foram selecionadas 125 plantas, com cinco anos de idade. O experimento foi conduzido em blocos casualizados, com cinco repetições. Foram aplicadas quatro doses de N (50, 100, 150 e 200 kg N ha-1), além de um tratamento testemunha, sem o nutriente. O N, na forma de ureia (45% N) foi aplicado sobre a superfície do solo e as doses fracionadas em duas épocas de aplicação, 50% no início da brotação (agosto) e 50% após o raleio dos frutos (setembro). As parcelas foram constituídas por cinco plantas e as três centrais foram avaliadas. Cinquenta frutos foram colhidos nas safras 2020, 2022 e 2023 e armazenados durante 28 dias em câmara fria a 0 oC. Após, os frutos foram avaliados para firmeza de polpa, teor de sólidos solúveis (Brix), acidez e incidência de distúrbios fisiológicos (epiderme translúcida, degenerescência interna e escurecimento interno) e podridões. Os dados foram submetidos às análises de variância e de regressão, relacionando as variáveis de qualidade às doses de N aplicadas. A firmeza de polpa, o teor de sólidos solúveis, a acidez e a ocorrência de distúrbios fisiológicos típicos de frutos de pêssego armazenados não foram afetados pelas doses de N na média das três safras. No entanto, em duas das três safras avaliadas, o incremento nas doses de N resultou em maior incidência de frutos com podridão. Na safra de 2022, na dose de 0 kg ha-1, 10,3% dos frutos apresentou podridão, aumentando de forma quadrática para 19,7% com a dose 200 kg ha-1. Já na safra 2023, nestas mesmas doses, a incidência de podridão aumentou de forma quadrática de 5,4 para 15,6%, respectivamente nas doses 0 e 200 kg ha-1 de N. Os resultados da presente pesquisa mostram que o aumento excessivo do N aplicado ao pessegueiro determina um maior descarte de frutos por podridões se estes forem armazenados, o que não é desejado.

Biografia do Autor

  • Dr. Gilmar Mumbach, Epagri – Estação Experimental José Oscar Kurtz

    Pesquisador, Epagri – Estação Experimental José Oscar Kurtz, Caçador, SC. 

  • Dr. Gilberto Nava, Embrapa

    Pesquisador, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (CPACT), Pelotas, RS, 

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Publicado

19-06-2026