AÇÕES DO PROGRAMA SAÚDE NA ESCOLA: EXPERIÊNCIA DE ACADÊMICAS DE ENFERMAGEM NA PROMOÇÃO DA SAÚDE
Resumo
Introdução: O Programa Saúde na Escola (PSE), instituído no Brasil em 2007, representa uma estratégia estruturante que integra os setores da Saúde e da Educação com o objetivo de promover a saúde e prevenir agravos no ambiente escolar. Essa iniciativa é considerada um instrumento essencial da Atenção Primária à Saúde (APS), pois permite levar ações de cuidado, educação em saúde e identificação precoce de agravos diretamente ao público infanto-juvenil, fortalecendo a capilaridade dos serviços de saúde e aproximando-os da realidade cotidiana dos estudantes (Brasil, 2007). A importância do PSE reside não apenas na prevenção de doenças, mas também na promoção do desenvolvimento integral de crianças e adolescentes. Ao promover hábitos saudáveis, estimular a alimentação equilibrada, incentivar a prática de atividade física e fornecer informações sobre higiene e vacinação, o programa contribui para a formação de cidadãos conscientes e socialmente engajados. Além disso, fortalece a APS, ao ampliar o acesso, a resolutividade e a integração entre serviços de saúde e instituições educacionais, promovendo a qualidade de vida da comunidade e impactando positivamente o futuro da saúde pública (Brasil, 2007). As ações do PSE para o período de 2025-2026 abrangem 14 áreas temáticas prioritárias, incluindo saúde ambiental, promoção da atividade física, alimentação saudável e prevenção da obesidade, verificação da situação vacinal, prevenção ao uso de álcool, tabaco e outras drogas, entre outros (Brasil, 2025). Essa diversidade de ações evidencia a abrangência do programa, que busca atender às necessidades específicas de cada comunidade escolar, considerando as diferentes realidades socioeconômicas, culturais e demográficas do país. No contexto da formação acadêmica, o Componente Curricular de Estágio Supervisionado em Saúde I (ECS I), direcionado ao 9º semestre do curso de Enfermagem, possibilita que os estudantes vivenciem um período intensivo de quatro meses em que aplicam os conhecimentos teórico-práticos adquiridos ao longo da graduação. Nesse período, desenvolvem o raciocínio clínico, compreendem integralmente o funcionamento das redes de atenção primária, secundária e terciária, e exercitam habilidades de comunicação, ética profissional e tomada de decisão. A inserção dos acadêmicos em um Centro de Saúde da Família (CSF) permite não apenas a experiência direta no cuidado à saúde, mas também o acompanhamento da gestão e da organização dos serviços, promovendo uma visão holística do processo de atenção à saúde. Durante o ECS I, os estudantes têm autonomia para conduzir atividades do PSE, consolidando a integração ensino-serviço-comunidade. Segundo Antunes et al., espera-se que, como parte das atribuições do enfermeiro da Estratégia Saúde da Família, pelo menos uma temática do programa seja trabalhada em cada instituição de ensino do território, fortalecendo o compromisso com a promoção da saúde escolar e a formação de cidadãos conscientes sobre cuidados preventivos. Objetivo: relatar a experiência de duas acadêmicas de Enfermagem durante a realização do componente ECS I na APS em um CSF, na condução do PSE sobre vacinação e palestras sobre tabagismo para crianças e adolescentes de uma escola municipal e uma estadual do oeste catarinense. Metodologia: Trata-se de um relato de experiência realizado por duas acadêmicas de Enfermagem durante o ECS I na APS, em um CSF localizado na região Oeste de Santa Catarina. A demanda para a execução das ações do PSE partiu da Secretaria Municipal de Saúde, que selecionou escolas do território para receber atividades educativas voltadas à prevenção de agravos e promoção da saúde. As temáticas abordadas incluíram “Verificação da Situação Vacinal”, “Prevenção ao Uso de Álcool, Tabaco e Outras Drogas” e “Higiene e Bons Hábitos”, sendo essas últimas solicitadas pelas próprias instituições de ensino. As atividades foram planejadas de forma a respeitar as faixas etárias dos alunos, utilizando palestras educativas, recursos audiovisuais, dinâmicas interativas e material informativo impresso. O público-alvo incluiu estudantes de 8 a 18 anos, distribuídos em turmas do 3º ao 5º ano do Ensino Fundamental I, 8º e 9º ano do Ensino Fundamental II e do 1º ao 3º ano do Ensino Médio, considerando a necessidade de adequar a linguagem e abordagem dos conteúdos a cada grupo. As ações do PSE contemplaram 26 turmas, alcançando um total de 793 estudantes. Na escola estadual foram desenvolvidas atividades sobre tabagismo (14 turmas; 437 alunos) e sobre a importância da vacinação e higiene corporal (8 turmas; 236 alunos), somando 673 alunos. Já na escola municipal participaram 4 turmas (120 alunos) no tema vacinação e higiene corporal. Para garantir maior engajamento e participação, as atividades foram distribuídas em diferentes turnos, sendo conduzidas em salas de aula e auditórios, dependendo da estrutura da escola e do número de alunos. Resultados e discussão: Durante as ações, observou-se que a verificação da situação vacinal foi de grande relevância, permitindo identificar alunos com esquemas de vacinação incompletos e fornecer orientações adequadas aos responsáveis. Na escola municipal, as atividades foram realizadas em dois dias, com conferência das carteiras de vacinação e entrega de bilhetes informativos indicando a necessidade de atualização vacinal. Além disso, foram realizadas palestras interativas sobre higiene corporal, estimulando a participação ativa dos alunos por meio de perguntas e dinâmicas, como a colagem de palavras-chave em uma seringa desenhada em cartolina, reforçando conceitos sobre prevenção de doenças, imunidade e cuidados com a saúde. Na escola estadual, devido ao maior número de estudantes, algumas dinâmicas foram adaptadas ou simplificadas, concentrando-se em apresentações orais e esclarecimento de dúvidas sobre vacinação e higiene. As palestras sobre tabagismo, realizadas para turmas do Ensino Fundamental II e Ensino Médio, incluíram conceitos como definição de tabagismo, fumo passivo, impactos sociais e físicos, bem como tratamento disponível no SUS. A abordagem foi educativa e não punitiva, estimulando reflexão sobre responsabilidades e escolhas individuais, além de abrir espaço para questionamentos e diálogo com os alunos. O uso de materiais educativos impressos e digitais, distribuídos a estudantes e gestores escolares, contribuiu para reforçar os conteúdos abordados e ampliar o alcance da ação, envolvendo também as famílias na promoção da saúde. Observou-se alto nível de interesse e engajamento, sobretudo nas atividades interativas, e um grande número de questionamentos sobre vacinas e malefícios do tabaco, evidenciando a importância do PSE como ferramenta de educação em saúde. Contribuições para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: As ações relatadas contribuem diretamente para o ODS 3 – Saúde e Bem-Estar, em especial às metas 3.4 e 3.5, ao fortalecer a prevenção de doenças imunopreveníveis e incentivar hábitos de vida saudáveis. Também promovem o debate sobre fatores de risco relacionados ao uso precoce de álcool e tabaco, alinhando-se às estratégias de prevenção e tratamento do abuso de substâncias. Ademais, o trabalho promove o ODS 4 – Educação de Qualidade, ao integrar ensino e saúde, e o ODS 10 – Redução das Desigualdades, ao oferecer acesso equitativo à informação e cuidado preventivo. Por fim, reforça o ODS 16, ao contribuir para instituições educacionais e de saúde mais inclusivas, justas e responsáveis. Considerações finais: A experiência demonstrou que o PSE constitui uma estratégia eficaz para aproximar serviços de saúde do ambiente escolar, promovendo a prevenção de doenças, hábitos saudáveis e formação integral dos estudantes. As atividades de verificação da situação vacinal, higiene corporal e prevenção ao tabagismo estimularam mudanças de comportamento, ampliação do conhecimento e envolvimento familiar. O relato evidencia a relevância do enfermeiro da Estratégia Saúde da Família na coordenação dessas ações e a importância da participação de acadêmicos de Enfermagem na integração ensino-serviço-comunidade, contribuindo para a formação de profissionais capacitados e socialmente comprometidos.
