CONDIÇÕES DE TRABALHO E QUALIDADE ASSISTENCIAL EM ENFERMAGEM: UM RELATO DE INTERCÂMBIO NA NORUEGA

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Resumo

Introdução: A qualidade da assistência de enfermagem constitui elemento essencial para a segurança, o bem-estar e a recuperação integral dos pacientes, sendo fortemente influenciada pelas condições e instalações de trabalho disponíveis nas unidades de saúde. A literatura especializada aponta que a qualidade em serviços de saúde está diretamente relacionada à tríade estrutura, processo e resultado, conforme proposto por Donabedian (1986), sendo essa abordagem amplamente utilizada para avaliar a efetividade do cuidado em diferentes contextos. A análise de diferentes realidades assistenciais possibilita compreender o impacto que fatores estruturais, organizacionais e ambientais exercem sobre a efetividade do cuidado e na qualidade de vida profissional dos trabalhadores da saúde (Ferreira et al., 2019). Objetivo: este trabalho tem como objetivo descrever e analisar, a partir de observações diretas, como as condições de trabalho em unidades de saúde norueguesas influenciam a qualidade da assistência de enfermagem, destacando aspectos estruturais, organizacionais e ambientais, e relacionando essas percepções aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Metodologia: trata-se de um estudo descritivo, na forma de relato de experiência, baseado em observações realizadas entre fevereiro e junho de 2025, durante intercâmbio internacional na cidade de Bergen, Noruega, no âmbito do projeto FeminaGlobal — parceria entre a Universidade do Vale do Itajaí e a Western Norway University of Applied Sciences. As atividades incluíram inserção prática em hospitais (setores de maternidade e UTI neonatal) e unidades de atenção primária à saúde, denominadas helsestasjon. As percepções foram construídas a partir da análise do espaço físico, disponibilidade de insumos e equipamentos, dinâmica das equipes multiprofissionais e clima organizacional observado. Resultados e discussão: nos diferentes cenários vivenciados, as helsestasjon se destacaram por oferecer ambientes planejados para privacidade, conforto e segurança, com recursos disponíveis de forma contínua. Essa estrutura favoreceu atendimentos humanizados, integrais e tecnicamente qualificados. A organização dos espaços e a estabilidade de insumos contribuíram para reduzir o estresse dos profissionais, ampliar a escuta ativa e fortalecer vínculos com os pacientes (Sampaio & Souza, 2018). Nos hospitais, também se observou impacto positivo da infraestrutura e dos fluxos bem definidos, embora o contraste mais expressivo tenha surgido ao comparar a atmosfera acolhedora das helsestasjon com a realidade de outros serviços hospitalares noruegueses. Em ambos os contextos, a adequação do ambiente físico e a oferta estável de recursos permitiram que os profissionais mantivessem foco integral nas atividades assistenciais, preservando a saúde mental e prevenindo desgaste emocional. A experiência evidenciou que condições de trabalho satisfatórias geram impacto direto na qualidade técnica da assistência, na satisfação profissional e na efetividade das ações de saúde (Silva & Backes, 2017). O contraste com a realidade brasileira, marcada por limitações estruturais e escassez de recursos, reforça a necessidade de investimentos contínuos na melhoria das instalações e na organização dos serviços públicos de saúde. Contribuições do trabalho em direção aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: ao relacionar essas percepções aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, observa-se que o trabalho contribui diretamente para o ODS 3 — Saúde e Bem-estar — ao evidenciar que ambientes estruturados e organizados promovem assistência segura e centrada no paciente; para o ODS 8 — Trabalho Decente e Crescimento Econômico — ao destacar a importância de condições laborais adequadas para a saúde mental e a satisfação profissional; para o ODS 10 — Redução das Desigualdades — ao permitir a comparação entre realidades distintas e reforçar a necessidade de políticas públicas que reduzam disparidades estruturais entre países; e para o ODS 17 — Parcerias e Meios de Implementação — ao exemplificar como cooperações internacionais entre instituições de ensino podem fortalecer a formação profissional e a troca de boas práticas (Mendes; Ventura, 2015). Considerações finais: conclui-se que a qualificação da infraestrutura e do ambiente de trabalho deve ser tratada como aspecto central para o desenvolvimento de uma assistência de enfermagem segura, ética e humanizada. A experiência internacional vivenciada reforça a importância de políticas públicas que priorizem a valorização profissional e a melhoria contínua das estruturas de saúde, em consonância com os princípios da equidade, da sustentabilidade e da humanização do cuidado.

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Publicado

16-01-2026