COMPLICAÇÕES RENAIS APÓS INTERVENÇÃO CORONÁRIA PERCUTÂNEA EM PACIENTES COM INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO
Resumo
Introdução: As doenças cardiovasculares são de causas multifatoriais, responsáveis pela maior parte dos óbitos causados por doenças crônicas não transmissíveis na américa latina (OPAS, 2021). Dentre as patologias de cunho cardiovascular, a principal delas é definida como infarto agudo do miocárdio (IAM) (OPAS, 2021). A quarta definição universal de IAM publicada em 2018 define a patologia como uma lesão aguda com biomarcadores cardíacos anormais detectáveis, associada com a sintomatologia e alterações no eletrocardiograma (ECG), evidenciando isquemia miocárdica aguda, a qual, comumente necessita de intervenção através da angioplastia coronariana percutânea. Embora eficaz, essa abordagem pode causar efeitos adversos devido ao uso de contraste iodado, como a lesão renal aguda induzida por contraste (LRAIC), caracterizada pela redução da função renal após o procedimento. Objetivo: Descrever as complicações renais em pacientes com IAM após serem submetidos a intervenção coronariana percutânea. Metodologia: Este estudo propõe uma revisão da literatura sobre as complicações renais em pacientes submetidos à intervenção coronariana percutânea após IAM. A pergunta de pesquisa foi estruturada com base no acrônimo PICO: "P" refere-se a pacientes que desenvolveram lesão renal aguda no pós-angioplastia; "I", às intervenções voltadas a essas complicações; "C" (comparação) não se aplica neste estudo; e "O", aos desfechos relacionados às alterações renais após o procedimento. Desta forma, o presente estudo busca responder a seguinte pergunta de pesquisa, a qual foi delimitada na questão: “Quais as evidências científicas disponíveis acerca da lesão renal aguda em pacientes com infarto agudo do miocárdio submetidos a intervenção coronariana percutânea?” A revisão foi conduzida em cinco etapas: definição da pergunta de pesquisa; busca e seleção dos estudos; extração e avaliação dos dados; síntese dos resultados; e apresentação da revisão. Os critérios de inclusão abrangeram estudos, em inglês, português ou espanhol. Foram excluídos livros, teses, anais, relatórios e documentos institucionais. A seleção foi feita utilizando descritores padronizados (DeCS e MeSH), com buscas realizadas nas bases PubMed, Scopus e Cochrane Library, em agosto de 2025. Resultados e discussão: Dentre as literaturas evidenciadas, pode-se ressaltar um em estudo Maioli et al. (2011), com 450 pacientes com IAMCSST submetidos à intervenção coronária percutânea, quanto a utilização de hidratação endovenosa pré e pós-procedimento com bicarbonato reduziu significativamente a incidência de LRAIC (12%) em comparação à hidratação tardia com salina (22,7%) e à ausência de hidratação (27,3%). Volumes infundidos ≤960 mL foram associados a maior risco de LRAIC. Desta forma, o estudo concluiu que a hidratação adequada, especialmente precoce com bicarbonato, é eficaz na prevenção da lesão renal aguda induzida por contraste. Já o estudo conduzido por Liu et al. (2022, p. 950), se deu através do método randomizado e controlado, conduzido em 15 hospitais universitários na China, que avaliou 560 pacientes adultos com IAMCSST submetidos à ICP. Os pacientes foram alocados em dois grupos: hidratação agressiva e hidratação geral. O grupo de hidratação agressiva recebeu volume salino maior, iniciado antes do procedimento, enquanto o grupo controle recebeu até 500 mL de solução salina a 1 mL/kg/h por 6 horas. O desfecho primário foi a incidência de lesão renal aguda induzida por contraste, observada em 21,8% dos pacientes com hidratação agressiva versus 31,1% no grupo controle (RR: 0,70; IC 95%: 0,52–0,96). A análise indicou maior benefício da hidratação agressiva em homens e pacientes com disfunção renal prévia. Além destes relevantes estudos, a diretriz da American College of Radiology (2024), menciona que a principal ação preventiva para minimizar o risco de LRAIC, além da utilização de um contraste de menor osmolaridade, é fornecer expansão do volume intravenoso antes de administração do meio de contraste, através da hidratação endovenosa, o que corrobora com os estudos trazidos para esta revisão. Ainda, evidencia-se nesta diretriz que é necessário considerar os fatores inertes ao paciente, como: idade, sexo, presença de diabetes e patologias renais prévias. Por isso, faz-se necessária a abordagem de medidas profiláticas para minimizar os efeitos deletérios do uso de contraste nos procedimentos de angioplastia percutânea. Contribuições do trabalho em direção aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: Essas ações estão alinhadas ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 3 Saúde e Bem-Estar, que visa assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades. A implementação de protocolos assistenciais no cuidado cardiovascular a esse público contribui diretamente para a redução da morbimortalidade, fortalecendo a qualidade da assistência e a promoção da saúde em nível hospitalar. Considerações finais: Com base no exposto, ressalta-se a importância da monitorização da função renal após ICP, através de exames laboratoriais. Além disso, sugere-se a adoção de estratégias de hidratação endovenosa pré e pós-procedimento, desde que não haja contraindicações clínicas, com o objetivo de prevenir a LRAIC. Nesse contexto, é essencial que o enfermeiro e demais profissionais da saúde estejam atentos tanto à prevenção quanto ao manejo da LRAIC no pós-procedimento de ACTP em pacientes com IAMCSST, bem como à investigação do histórico de saúde, por meio da sistematização da assistência de enfermagem.
