USO DE ANABOLIZANTES POR ADOLESCENTES: O IMPACTO DAS REDES SOCIAIS NO CULTO EXAGERADO AO CORPO

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Resumo

Introdução: o corpo é resultado de uma construção sociocultural, em que a sociedade define atributos nos quais os indivíduos devem se inserir, a fim de serem considerados “belos”. Na contemporaneidade, tem-se uma supervalorização da estética corporal, pautada no ideal do físico atlético, que é difundido em massa pelos veículos midiáticos, sobretudo pelas redes sociais. Nessa conjuntura, muitos jovens, em busca da aceitação social, recorrem aos Esteroides Anabolizantes Androgênicos (EAA) e menosprezam seus efeitos adversos na saúde. Os EAAs são derivações sintéticas da testosterona e são utilizados para realçar características masculinas e aumentar a síntese muscular, contudo seu uso indevido pode ser extremamente prejudicial ao indivíduo (Sociedade Brasileira de Pediatria, 2021). Objetivo: analisar a influência das redes sociais na intensificação do uso de esteroides anabolizantes por jovens e suas consequências no bem-estar desses indivíduos. Metodologia: o presente estudo trata-se de uma revisão narrativa da literatura por meio de busca na base de dados Portal de Periódicos da CAPES, Scielo e Google Scholar. Foram empregados os Descritores em Ciências da Saúde (DeCS): "Anabolizantes”, “Adolescente” e “Rede Social", combinados pelo operador booleano "AND".  Foram considerados como critérios de inclusão: (i) artigos científicos; (ii) publicados no período de 2018-2025, com disponibilidade em meio eletrônico; (iii) no idioma inglês e portugues; (iv) Metodologia dos estudos transversais. Resultados e discussão: após a busca nas bases de dados, foram identificados 5 artigos. Destes, após a leitura dos títulos e dos resumos, foram selecionados para a leitura na íntegra e composição da revisão, 5 artigos científicos. Com base nos artigos selecionados, observa-se que a adolescência é um período de transformações fisiológicas e psicológicas. Portanto, essa fase da vida é essencial na construção do senso de identidade e da auto aceitação da aparência corporal. Sob esse viés, as redes sociais atuam moldando valores e padrões estéticos de maneira direta e indireta, por meio de publicações que exaltam o “corpo de academia” e as rotinas exaustivas de práticas esportivas. Desse modo, a obsessão por atingir o corpo perfeito tornou adolescentes mais suscetíveis ao uso de anabolizantes, os quais potencializam o desenvolvimento muscular, mas também aumentam problemas de saúde (BEZERRA, 2022). Alguns usuários chegam a consumir doses de 10 a 100 vezes superiores às recomendadas para fins terapêuticos (Sociedade Brasileira de Pediatria, 2021). A principal preocupação acerca do aumento desse uso, promovido pela internet, é a grande quantidade de consequências para o organismo, tais como o comprometimento de órgãos e sistemas. Nos homens, o consumo destas substâncias está atrelado a problemas no sistema reprodutor, como inflamação da próstata, atrofia testicular e disfunção erétil, além de alterações fenotípicas como calvície precoce e acne. No sexo feminino, o qual comumente apresenta baixos níveis de testosterona, os Esteróides Anabolizantes (EAs) podem provocar efeitos ainda mais expressivos, a exemplo do aumento do número de pelos corporais, da irregularidade ou da ausência da menstruação, do engrossamento da voz, e de alterações dermatológicas. Outrossim, o uso de esteróides está frequentemente associado à vigorexia na juventude, também conhecida como dismorfia muscular, que é um distúrbio psicológico relacionado à preocupação crônica em não se sentir musculoso o suficiente. Essa condição é agravada pela comparação recorrente com representações de adultos que já apresentam o corpo idealizado por esses jovens, sobretudo por meio de postagens em redes sociais e de propagandas construídas sob padrões irreais de corpos. Entretanto, embora os jovens reconheçam a influência midiática na difusão de padrões de comportamento, observa-se que muitos desconsideram o acompanhamento médico e a disciplina de conduta implícitos à obtenção desses corpos, o que favorece a busca pelo uso de anabolizantes e por resultados imediatos (Black; Santos; Lima; Santos; Silva, 2025). Essa condição é agravada pela extrema comparação com imagens de adultos que já possuem o físico desejado por esses jovens, porém com acompanhamento médico. Portanto, sendo a negligência associada aos impactos do uso de esteróides um dos principais fatores que sustentam seu consumo indiscriminado por jovens (Azevedo; Eira; Amaral, 2024), concluiu-se que são necessárias políticas públicas de conscientização, que objetivem promover a alimentação saudável e a prática equilibrada de exercícios físicos, desvinculando tais atividades das pressões estéticas difundidas nas redes sociais (Lopes; Souza; Quental; Silva, 2024). Contribuições do trabalho em direção aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) são um apelo global à ação para acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima e garantir que as pessoas, em todos os lugares, possam desfrutar de paz e de prosperidade”. Nesse sentido, este trabalho está diretamente associado ao “Objetivo 3: Saúde e Bem-Estar” dos ODS, o qual propõe assegurar o acesso à saúde e o bem-estar para todos, de modo a atuar na promoção da saúde física e mental, na prevenção e no combate ao uso abusivo de substâncias entre jovens. Dentre as diversas metas do “Objetivo 3”, a mais relevante para essa análise é a 3.4, a qual busca reduzir, até 2030, em um terço das mortes prematuras por doenças não transmissíveis (como hepatite medicamentosa, depressão e hipertensão arterial). Essa ação é possível mediante a mitigação de fatores de risco, como o uso de anabolizantes, e a promoção da saúde mental e do bem-estar, os quais dependem da educação midiática do grupo etário jovem. Ademais, a meta 3.5 é essencial para essa discussão, haja vista remediar e tratar o uso indevido de drogas e a dependência química, especialmente pela juventude, que são mais vulneráveis à pressão social e às redes sociais. Esse propósito pode ser alcançado por intermédio da oferta de serviços de saúde especializados, como atendimento psicológico, e da conscientização midiática e medicamentosa dos jovens. Portanto, a revisão proposta neste trabalho aborda um âmbito imprescindível para consolidar o “Objetivo 3”, possibilitando compreender as causas, como as mídias sociais, e as inúmeras consequências do uso de esteroides anabolizantes à saúde desse grupo social. Considerações finais: após uma análise detalhada das produções científicas acerca do impacto das redes sociais no uso de anabólicos por adolescentes, evidencia-se que essa é uma fase de vulnerabilidade, na qual o indivíduo está ainda mais suscetível às influências provocadas pelas mídias a respeito do ideal corporal. A busca incessante pelo corpo “perfeito” faz com que jovens busquem alternativas prejudiciais à saúde para alcançá-lo, como as “drogas da imagem corporal”, as quais resultam em incontáveis consequências. Diante disso, é evidente a urgência da disseminação de uma educação digital voltada à saúde, visando a desconstrução de estereótipos, a promoção da autoestima, o combate à automedicação e a garantia do bem-estar dentre a população infantojuvenil, contribuindo para a consolidação do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 3.

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Publicado

16-01-2026

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Seção

Políticas, gestão em saúde, saúde digital e tecnologias na saúde