SEGURANÇA DO PACIENTE NA ADMINISTRAÇÃO DE MEDICAMENTOS: EVIDÊNCIAS DA LITERATURA PARA A CONSTRUÇÃO DE PROTOCOLOS

Autores/as

Resumen

Introdução:  A segurança do paciente é um pilar essencial da qualidade assistencial e deve ser assegurada em todas as etapas do cuidado, com destaque para o ciclo medicamentoso. Incidentes relacionados a medicamentos configuram um dos maiores desafios para os serviços de saúde, pois podem ocasionar danos clínicos relevantes e custos elevados. A administração segura de medicamentos representa uma preocupação mundial, visto que falhas em etapas como prescrição, dispensação, preparo e administração estão entre as principais causas de eventos adversos evitáveis. Nessa perspectiva, a segurança no processo medicamentoso está intimamente associada à sustentabilidade dos serviços de saúde, uma vez que erros geram impactos negativos não apenas para os pacientes, mas também para as instituições, ao ocasionarem desperdício de recursos, prolongamento de internações, judicialização e uso inadequado de insumos. Assim, a implementação de protocolos institucionais bem estruturados torna-se imprescindível para padronizar práticas, reduzir riscos e prevenir falhas, sobretudo quando contemplam medidas como a identificação correta do paciente e a aplicação da estratégia dos nove certos. Objetivo: Identificar e analisar evidências científicas que subsidiem a elaboração e validação de fluxogramas e protocolos de prescrição, dispensação, preparo e administração de medicamentos em um ambulatório universitário, com foco na promoção da segurança do paciente e na sustentabilidade dos processos assistenciais. Metodologia: A pesquisa buscou identificar evidências científicas para elaborar e validar fluxogramas e protocolos de prescrição, dispensação, preparo e administração de medicamentos em um ambulatório universitário, visando à segurança do paciente e à sustentabilidade dos processos. Foi realizada uma revisão de literatura baseada no acrônimo PICO, considerando pacientes em terapia medicamentosa ambulatorial, a intervenção de protocolos institucionais e como desfecho a segurança do processo medicamentoso. A busca ocorreu na BVS (LILACS, SCIELO, MEDLINE/PubMed e BDENF), incluindo artigos originais em português, inglês e espanhol publicados entre 2019 e 2024. Excluíram-se revisões, editoriais, teses, dissertações e relatos de experiência. O processo de seleção seguiu três etapas, utilizando a plataforma Rayyan e análise independente de pesquisadores. Dos 2.244 artigos identificados, 11 compuseram a amostra final. Resultados :Os resultados evidenciam que a implementação de protocolos institucionais, quando fundamentados em evidências científicas, contribui de forma significativa para a redução de falhas em etapas críticas do processo medicamentoso, como prescrição manual ilegível, ausência de rotulagem adequada, insuficiência na dupla checagem, escolha incorreta da via de administração e erros de dosagem. A literatura analisada indica que a utilização de sistemas informatizados para prescrição, a padronização de protocolos, a integração de recursos tecnológicos de apoio clínico, a educação continuada da equipe multiprofissional e a participação ativa do farmacêutico na dispensação configuram-se como fatores decisivos para a segurança do paciente. Observou-se também que a implantação de protocolos bem estruturados promove melhoria na comunicação entre os membros da equipe, aumento da rastreabilidade das etapas do ciclo do medicamento e maior responsabilização dos profissionais. Tais medidas não apenas qualificam a assistência, mas reduzem significativamente a incidência de eventos adversos e ampliam a confiabilidade do processo de trabalho. Contudo, persistem barreiras importantes, como baixa adesão de alguns profissionais devido à dificuldade de aplicabilidade dos protocolos na rotina, sobrecarga de trabalho, interrupções frequentes durante a administração e deficiências estruturais que comprometem a eficácia das medidas. Esses desafios evidenciam a necessidade de reorganização dos fluxos de trabalho em enfermagem, de incentivo institucional à adesão às práticas seguras e de investimentos em infraestrutura. A discussão dos achados reforça que protocolos institucionais não apenas aumentam a segurança do paciente, mas também representam práticas sustentáveis, ao reduzir desperdícios de medicamentos, retrabalho e tempo improdutivo, diminuindo consequentemente os custos associados a internações prolongadas e eventos adversos. Além disso, estratégias complementares como simulação clínica, treinamentos periódicos, auditorias internas, reorganização dos ambientes de preparo e estímulo à cultura de segurança emergem como ferramentas eficazes para consolidar práticas mais seguras e educativas. As contribuições do estudo dialogam diretamente com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). No ODS 3 (Saúde e bem-estar), ao propor estratégias que reduzem riscos e qualificam a assistência prestada; no ODS 4 (Educação de qualidade), ao enfatizar a importância da capacitação permanente e da aprendizagem multiprofissional; e no ODS 12 (Consumo e produção responsáveis), ao relacionar protocolos institucionais à redução de desperdícios e ao uso racional de insumos, reforçando a sustentabilidade dos sistemas de saúde. Conclusão: Considera-se, portanto, que os resultados desta revisão oferecem subsídios consistentes para a construção e validação de fluxogramas e protocolos institucionais aplicáveis ao contexto ambulatorial universitário, configurando-se como uma ferramenta estratégica para a promoção da segurança do paciente, a qualificação da assistência e a sustentabilidade dos processos de saúde. Como limitações, destaca-se a concentração de estudos em determinados contextos hospitalares e a escassez de pesquisas nacionais recentes com enfoque em ambulatórios universitários. Recomenda-se que futuros estudos ampliem a aplicação de protocolos validados em diferentes cenários assistenciais, com avaliação de efetividade e impacto em longo prazo, bem como maior integração entre pesquisa, ensino e serviço para consolidação de práticas seguras e sustentáveis.

Publicado

16-01-2026

Número

Sección

Políticas, gestão em saúde, saúde digital e tecnologias na saúde