REPERCUSSÕES EMOCIONAIS DE PACIENTES ONCOLÓGICOS INTERNADOS EM UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA

Autores/as

Resumen

Introdução: No contexto da alta complexidade, a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) é um setor onde permanecem hospitalizados pacientes com quadros graves e de alto risco, sendo necessário o emprego de tecnologias de alta densidade, bem como, monitoramento constante para o tratamento proposto (Brasil, 2010). Considerando o aumento do número de pacientes oncológicos internados em UTIs e a escassez de estudos voltados às implicações emocionais dessa hospitalização, este estudo justifica-se pela necessidade de compreender o impacto psicológico do ambiente crítico sobre o paciente oncológico e o papel da equipe multiprofissional no cuidado integral. Objetivo: descrever as repercussões emocionais da internação em UTI Geral de pacientes com diagnóstico oncológico e ressaltar a importância do suporte da equipe de saúde durante a hospitalização. Metodologia: A pesquisa caracteriza-se como qualitativa, com delineamento transversal, descritivo e exploratório desenvolvida no período de dezembro de 2024 a abril de 2025.  Foram entrevistados sete pacientes oncológicos internados em duas UTIs de um hospital da região oeste de Santa Catarina, selecionados de modo não-probabilístico e por conveniência, considerando aqueles que manifestaram interesse em compartilhar suas vivências. Foram critérios de inclusão: ser paciente com qualquer diagnóstico oncológico, ter idade entre 18 a 80 anos e ter permanecido por no mínimo 24 horas internado em UTI Geral. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos sob o número do CAAE: 83863024.0.0000.0116. Resultados e discussão: Os resultados indicaram que quatro participantes eram do sexo masculino e três do feminino, com idade média de 63 anos, variando de 49 a 72 anos. Os diagnósticos incluíram adenocarcinoma de papila duodenal, câncer de pâncreas, câncer retroperitoneal, neoplasia de cólon direito, neoplasia renal, carcinoma seroso de alto grau de ovário e neoplasia de esôfago. Todos necessitaram de internação em UTI em decorrência do pós-operatório, com tempo de permanência variando de dois a nove dias, sendo apenas um participante com experiência prévia em UTI. A análise das entrevistas evidenciou que o suporte recebido da equipe de saúde constituiu um dos aspectos mais significativos da hospitalização, desempenhando papel essencial na redução do estresse, amenização de desconfortos e construção de percepção positiva do ambiente de alta complexidade (Nogueira et al., 2017). Observou-se que o cuidado prestado pela equipe ultrapassa o aspecto técnico e corporal, englobando dimensões emocionais, espirituais e familiares, considerando o paciente de forma integral. A comunicação eficaz revelou-se fundamental para compreender emoções, expectativas e medos, promovendo atendimento acolhedor e seguro, fortalecendo vínculos entre paciente, família e equipe, contribuindo para aliviar a angústia e o medo característicos do ambiente de UTI (Lima; Alves, 2024). Levando isso em conta, o papel dos profissionais de saúde alocados na UTI vai além do cuidado com o corpo físico do paciente. Por se tratar de um ambiente onde permanecem pacientes mais críticos, exigindo monitorização constante e o uso de tecnologias mais aprimoradas, a equipe tende a mecanizar seus cuidados, indo contra a assistência humanizada. Dessa forma, a multidisciplinaridade deve ser uma realidade nesse setor, cabendo a equipe realizar troca de informações em prol do indivíduo hospitalizado, priorizando a comunicação entre si e com o paciente, lançando um olhar para o ser humano que existe por trás da doença (Araújo, 2021). Nesse sentido, a pesquisa evidencia a importância da educação permanente de profissionais de saúde atuantes em UTIs, destacando a necessidade de aprimorar competências em cuidado humanizado, comunicação e atenção à saúde mental de pacientes, especialmente oncológicos, que apresentam sofrimento emocional potencializado. Contribuições do trabalho em direção aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: O estudo se relaciona principalmente ao ODS 3 Saúde e Bem-estar, na medida em que aborda a promoção da saúde integral e emocional de pacientes oncológicos internados em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Ao enfatizar o cuidado humanizado, multidisciplinar e centrado no paciente, bem como o suporte da equipe de saúde para reduzir o estresse e a angústia do ambiente de alta complexidade, a pesquisa contribui diretamente para o bem-estar físico, psicológico e social dos indivíduos hospitalizados. Além disso, há relação com o ODS 4 Educação de Qualidade, considerando que o estudo evidencia a necessidade de aprimorar práticas de ensino e formação contínua de profissionais da saúde, especialmente em comunicação, cuidado humanizado e atenção às dimensões emocionais, fortalecendo competências pedagógicas e técnicas essenciais para o exercício da profissão. De forma complementar, o estudo dialoga com o ODS 10 Redução das Desigualdades, uma vez que a atenção integral ao paciente, contemplando aspectos físicos, emocionais, espirituais e familiares, contribui para diminuir desigualdades no acesso a uma assistência de qualidade, garantindo cuidado equânime mesmo em situações de alta complexidade. Indiretamente, o estudo também se relaciona com o ODS 8 Trabalho Decente e Crescimento Econômico, ao valorizar a atuação de equipes multiprofissionais, promovendo condições de trabalho éticas, colaborativas e satisfatórias, e com o ODS 16 Paz, Justiça e Instituições Eficazes, na medida em que reforça a importância de comunicação clara, ética profissional e relações de confiança entre pacientes, familiares e equipe de saúde, fortalecendo práticas institucionais responsáveis e colaborativas. Dessa forma, a pesquisa evidencia que intervenções voltadas à humanização, comunicação efetiva e suporte multidimensional não apenas promovem saúde e bem-estar, mas também contribuem para a formação contínua de profissionais qualificados, para a redução de desigualdades e para a consolidação de ambientes de cuidado mais éticos e eficientes, integrando os princípios dos ODS ao contexto da atenção em UTI. Considerações finais: A hospitalização em UTI representa uma experiência potencialmente traumática para pacientes oncológicos, intensificando sentimentos de medo, insegurança e vulnerabilidade. A atuação humanizada da equipe de saúde contribui significativamente para o enfrentamento desse contexto, promovendo percepção positiva do ambiente de UTI e fortalecendo vínculos de confiança com pacientes e familiares. Portanto, a educação de qualidade aos profissionais da saúde torna-se um elemento primordial na melhor prestação de cuidados a esses pacientes possivelmente já fragilizados, uma vez que esse contato mais humanizado dos profissionais demonstrou favorecer o enfrentamento da internação em UTI. Recomenda-se a implementação de ações de educação permanente voltadas ao cuidado integral, comunicação eficaz e atenção à saúde mental, visando desenvolver competências técnicas e comportamentais dos profissionais, reduzir impactos emocionais negativos e melhorar a percepção do ambiente hospitalar como espaço de cuidado, recuperação e vida. Cabe ressaltar que os participantes do estudo evidenciaram a importância da equipe no processo de recuperação pós-cirúrgica em UTI, o que colaborou para uma mudança de perspectiva do ambiente, passando a ser visto como um local de cuidado, de recuperação e também de vida. Como limitação da pesquisa percebe-se o fato de que todos os participantes estiveram hospitalizados em UTI devido ao pós-operatório, fazendo-se necessário pesquisas mais abrangentes acerca da importância da equipe e sua educação continuada para o cuidado e atenção destinada a saúde mental de pacientes oncológicos hospitalizados em UTI devido a outras condições clínicas. Assim, evidencia-se que a educação de qualidade em saúde é uma ação que visa aprimorar e desenvolver habilidades comportamentais e competências técnicas de jovens e adultos atuantes no ambiente hospitalar, favorecendo o cuidado direcionado ao paciente.

Publicado

16-01-2026