A IMPORTÂNCIA DO CONHECIMENTO DAS ORIENTAÇÕES DE FAMILIARES DE PACIENTES ACAMADOS EM DOMICÍLIO

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Resumo

Introdução: O número de pacientes acamados em domicílio tem crescido de maneira significativa nos últimos anos, resultado do envelhecimento populacional, do aumento de doenças crônicas e da alta hospitalar precoce em virtude da otimização de leitos. Permanecer por longos períodos em decúbito pode ocasionar complicações sérias, como úlceras por pressão, contraturas articulares, alterações respiratórias, infecções urinárias, fragilidade imunológica e até impactos psicológicos, como depressão e ansiedade. O ambiente domiciliar, portanto, torna-se um espaço essencial para a continuidade do cuidado, e nesse cenário o papel da família é indispensável. Na maior parte das vezes, o cuidado recai sobre familiares sem preparo técnico, que assumem funções de higiene, alimentação, mobilização, posicionamento e apoio emocional. A ausência de treinamento específico pode comprometer a saúde do paciente e também a do cuidador, que frequentemente apresenta sobrecarga física e emocional. Nesse contexto, a orientação de profissionais de saúde — especialmente fisioterapeutas, enfermeiros e médicos — é um fator chave para a prevenção de complicações, a promoção do bem-estar e a melhora da qualidade de vida. Além disso, a capacitação de cuidadores familiares contribui para reduzir internações hospitalares, diminuir custos ao sistema de saúde e fortalecer a atenção primária, em consonância com políticas públicas como o Programa Melhor em Casa. Objetivo: Destacar a importância do conhecimento e das orientações oferecidas aos familiares de pacientes acamados em domicílio, evidenciando como tais práticas contribuem para o cuidado seguro, humanizado e eficiente. Metodologia: Trata-se de uma pesquisa bibliográfica, elaborada a partir de artigos científicos disponíveis nas bases de dados SciELO e PubMed, publicados nos últimos dez anos, em português ou inglês, disponíveis na íntegra e que abordassem cuidados de familiares ou cuidadores de pacientes acamados em domicílio. Para a busca, foram utilizados os descritores padronizados do DeCs: “Cuidadores”, “Assistência Domiciliar” e “Educação em Saúde”, e seus correspondentes em inglês, combinada por meio dos operadores booleanos AND e OR. Foram incluídos artigos que abordassem cuidados de familiares/cuidadores de pacientes acamados a domicílio, e excluídos estudos duplicados, trabalhos indisponíveis gratuitamente e publicações que não contemplavam diretamente a temática. A seleção de estudos foi realizada a partir da leitura dos títulos e resumos, sendo os estudos considerados relevantes analisados integralmente conforme sua relevância para o tema. A análise ocorreu de forma descritiva, buscando identificar as orientações fornecidas aos familiares, os impactos na prevenção de complicações e os efeitos sobre a qualidade de vida do paciente e do cuidador. Resultados e discussão: Os estudos revisados indicam que a orientação adequada aos cuidadores familiares é determinante para a qualidade da assistência domiciliar. Práticas simples, como a troca de decúbito a cada duas horas, a higiene adequada da pele, o uso de colchões especiais, a manutenção da hidratação e a execução de exercícios passivos ou ativo-assistidos, mostram-se fundamentais para prevenir úlceras por pressão, complicações respiratórias e rigidez articular. Além da dimensão física, é necessário atentar para o impacto psicológico do paciente acamado. Estímulos cognitivos, interação social e apoio emocional promovido pela família reduzem quadros de ansiedade e depressão. Ao mesmo tempo, é essencial considerar a saúde do cuidador. A sobrecarga física, devido a movimentos repetitivos ou posturas inadequadas, e a sobrecarga emocional, resultante da responsabilidade constante, podem gerar adoecimento. Orientações sobre ergonomia, divisão de tarefas entre familiares e acesso a grupos de apoio são fundamentais para preservar a saúde do cuidador. Do ponto de vista da fisioterapia, os familiares podem ser capacitados a realizar mobilizações leves, exercícios respiratórios, posicionamentos adequados e treino de transferências, favorecendo a prevenção de complicações e proporcionando maior conforto ao paciente. Já a enfermagem desempenha papel crucial na orientação sobre higiene, troca de curativos, prevenção de infecções e manejo de sondas e cateteres. A literatura demonstra que, quando há suporte multiprofissional, a família se sente mais segura, o cuidado se torna mais humanizado e os resultados são superiores. Apesar dos avanços, muitos cuidadores relatam que recebem orientações insuficientes ou apenas superficiais no momento da alta hospitalar. A falta de acompanhamento domiciliar contínuo gera insegurança e aumenta o risco de complicações. Isso reforça a importância de políticas públicas voltadas à capacitação sistemática de cuidadores, incluindo visitas domiciliares, distribuição de materiais educativos e suporte multiprofissional permanente. Contribuições do trabalho em direção aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: O estudo está alinhado ao ODS 3 (Saúde e Bem-Estar), ao promover a prevenção de complicações em pacientes acamados e melhorar a qualidade de vida de pacientes e cuidadores. Além disso, fortalece o princípio da atenção primária à saúde, reduz a necessidade de hospitalizações e contribui para a sustentabilidade do sistema público de saúde. Considerações finais: O conhecimento e a capacitação de familiares cuidadores são essenciais para garantir cuidados seguros, eficazes e humanizados a pacientes acamados em domicílio. A atuação de profissionais de saúde nesse processo é indispensável, pois orienta práticas simples que previnem complicações graves e contribuem para maior autonomia e conforto do paciente. Além disso, investir em educação em saúde para cuidadores protege também o bem-estar físico e emocional da família, reduzindo a sobrecarga e prevenindo adoecimentos secundários. A fisioterapia assume papel de destaque nesse cenário, ao oferecer orientações sobre exercícios, mobilizações, posicionamentos e respiração funcional. A enfermagem complementa com treinamentos práticos voltados para higiene, prevenção de lesões cutâneas e cuidados com dispositivos invasivos. Somados a isso, o acompanhamento multiprofissional e a criação de políticas públicas consistentes asseguram que o cuidado domiciliar seja efetivo e sustentável. Portanto, orientar e capacitar familiares cuidadores deve ser prioridade nas ações de atenção domiciliar, representando um investimento que resulta em melhoria da qualidade de vida, redução de internações hospitalares, proteção da saúde do cuidador e fortalecimento das redes de atenção em saúde.

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Publicado

16-01-2026

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Desinformação, informação e tradução do conhecimento em saúde