EQUOTERAPIA EM APAE: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA
Resumo
Introdução: A equoterapia é uma abordagem terapêutica que utiliza o cavalo como facilitador de intervenções direcionadas à reabilitação física, cognitiva, emocional e social de pessoas com diversas condições clínicas, especialmente neurológicas. Essa prática é caracterizada pela integração interdisciplinar de áreas como fisioterapia, psicologia, pedagogia e equitação, promovendo estímulos multissensoriais que favorecem o desenvolvimento global do praticante. A marcha do cavalo gera movimentos tridimensionais semelhantes à marcha humana, contribuindo significativamente para a melhora da postura, do equilíbrio, da coordenação motora e do tônus muscular. De acordo com Guindos‑Sanchez et al. (2020), a equoterapia tem se mostrado eficaz na recuperação da função motora grosseira em crianças com paralisia cerebral, com resultados positivos demonstrados em revisões sistemáticas e meta-análises recentes. Objetivo: Diante disso, o presente trabalho tem como objetivo relatar uma experiência prática vivenciada por acadêmicos do curso de fisioterapia durante estágio supervisionado na APAE de Itapiranga/SC, observando intervenções equoterapêuticas realizadas com usuários portadores de distúrbios neurológicos. Metodologia: Este estudo trata-se de um relato de experiência baseado na observação prática realizada por estudantes do oitavo período do curso de fisioterapia da UCEFF. A atividade ocorreu em uma cabanha parceira da APAE de Itapiranga/SC, onde foi realizada uma sessão de equoterapia voltada para o atendimento de usuários com condições neurológicas diversas, como Transtorno do Espectro Autista (TEA), Síndrome de Down, deficiência intelectual e distúrbios motores. Durante a atividade, os acadêmicos acompanharam o desenvolvimento da sessão sob supervisão de uma equipe multiprofissional composta por fisioterapeuta, psicóloga, pedagoga e técnicos especializados. A duração da atividade foi de aproximadamente uma hora, durante a qual foram aplicadas técnicas terapêuticas específicas com o auxílio do cavalo. Resultados e discussão: Durante a observação, foi possível compreender a estrutura e a riqueza da sessão de equoterapia. Inicialmente, os usuários foram preparados para o contato com o cavalo e posicionados corretamente sobre o animal, com o auxílio dos profissionais. A sessão iniciou-se com o trote terapêutico em movimentos circulares no sentido anti-horário, promovendo estímulos proprioceptivos e vestibulares que ativam o sistema nervoso central. Em seguida, foram realizados exercícios voltados para a melhora da postura, do tônus muscular, do equilíbrio e da coordenação motora. Os praticantes participaram de atividades como elevação de membros, movimentos de rotação e alongamentos com bastões e bambolês. Também foram propostas dinâmicas lúdicas como arremesso de bolas em cestos, pegar objetos em movimento e acertar alvos, com o objetivo de estimular funções cognitivas, planejamento motor e integração sensório-motora. Os benefícios observados não se restringiram à esfera física. Houve melhora na interação social, aumento da autoestima e manifestações claras de prazer e motivação por parte dos usuários. Esse aspecto afetivo-emocional é destacado por Pimentel et al. (2019), que apontam que a equoterapia em crianças com TEA não só melhora o equilíbrio e a coordenação, mas também favorece a diminuição de comportamentos agressivos, promovendo o bem-estar psicológico. A interdisciplinaridade da equipe foi um ponto forte da experiência, permitindo a construção de um plano terapêutico adaptado às necessidades específicas de cada usuário. Além disso, a vivência prática permitiu aos estudantes compreenderem a importância da humanização no atendimento e o potencial terapêutico do vínculo entre o praticante e o cavalo. Lima et al. (2021) reforçam que a equoterapia oferece benefícios globais às crianças com paralisia cerebral, tanto no aspecto motor quanto na qualidade de vida e na inclusão social. Os autores destacam que esse tipo de terapia pode reduzir a necessidade de intervenções convencionais contínuas, ampliando os horizontes da reabilitação neurológica. A experiência foi enriquecedora não apenas para os usuários da APAE, mas também para os acadêmicos, que puderam vivenciar uma prática terapêutica alternativa, com impacto positivo evidente na saúde física, emocional e relacional dos participantes. Contribuições do trabalho em direção aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: Contribuições do trabalho em direção aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: O presente trabalho indica o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 3, sendo saúde e bem-estar. Por contribuir na saúde pública em indivíduos com condições neurológicas. Considerações finais: A equoterapia demonstrou-se um recurso terapêutico eficaz e humanizado no atendimento de pessoas com disfunções neurológicas, contribuindo para melhorias significativas no aspecto físico, cognitivo e emocional dos usuários. A observação da atividade na APAE de Itapiranga evidenciou o potencial transformador dessa prática, não apenas na promoção de ganhos funcionais, mas também na elevação da autoestima e no estímulo à socialização. Os usuários da instituição que participam frequentemente das sessões apresentaram comportamentos positivos, expressando prazer e envolvimento durante a atividade. A presença de uma equipe multiprofissional integrada foi fundamental para a condução de uma intervenção segura, lúdica e efetiva. Por fim, destaca-se a importância de expandir e fortalecer projetos de equoterapia em instituições de apoio a pessoas com deficiência, considerando os impactos positivos observados tanto na saúde quanto na qualidade de vida dos praticantes.
