HIGIENIZAÇÃO E SAÚDE INFANTIL: RELATO DE EXPERIÊNCIA LÚDICA DESENVOLVIDA COM CRIANÇAS EM IDADE ESCOLAR

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Resumo

Introdução: a infância é uma fase fundamental do desenvolvimento humano, marcada pela formação de competências sociais, pela construção do caráter e da personalidade, além da descoberta de interesses pessoais. Nesse período, a maior plasticidade neuronal favorece a aprendizagem rápida e duradoura, tornando-o especialmente propício para a consolidação de hábitos saudáveis (Fandakova; Hartley, 2020). Assim, a educação em saúde na infância é essencial para a formação de indivíduos fisicamente saudáveis, emocionalmente equilibrados e socialmente responsáveis. Entre os temas de maior relevância destaca-se a higiene pessoal, prática capaz de prevenir doenças comuns no ambiente escolar, como conjuntivite, influenza e a doença mão-pé-boca, além de estimular a consciência coletiva sobre o cuidado consigo e com o próximo. Estudos apontam que estratégias educativas lúdicas, como jogos, histórias e atividades manuais, promovem maior retenção de informações e incentivam mudanças comportamentais positivas nas crianças, contribuindo para hábitos mais consistentes (Faganello et al., 2020). Dessa maneira, para que o conhecimento sobre higiene pessoal seja assimilado de forma eficaz, é indispensável o uso de metodologias pedagógicas adequadas, com ênfase em atividades lúdicas e participativas, que unem aprendizado e entretenimento, possibilitando maior engajamento e aprendizagem dos conteúdos. Objetivo: relatar a experiência de estudantes universitários em uma ação de educação em saúde, realizada com crianças de até dez anos, enfatizando a utilização de atividades lúdicas como estratégia pedagógica e seus efeitos na promoção de hábitos de higiene e consciência social durante a infância. Metodologia: trata-se de um relato de experiência de uma ação educativa em saúde desenvolvida na Organização sem Fins Lucrativos Verde Vida, vinculado ao projeto de extensão Educação em Saúde para Promoção do Cuidado Integral e Bem-Estar de Crianças e Adolescentes, com foco na promoção da higiene pessoal com crianças em idade escolar (cinco a dez anos). A atividade consistiu no uso de um desenho do corpo humano em papel kraft, associado a figuras ilustrativas de itens de higiene, permitindo a interação direta das crianças na identificação e associação dos cuidados corporais. A mediação foi realizada por estudantes do curso de Medicina da Universidade Federal da Fronteira Sul, que utilizaram linguagem acessível e recursos visuais para favorecer a compreensão e o engajamento dos participantes. Ao término da dinâmica, realizou-se uma roda de conversa para reforçar a aprendizagem e esclarecer dúvidas, ampliando a aproximação das questões abordadas com a realidade da vida de cada um. A ação ocorreu em abril de 2025 e teve duração aproximada de 40 minutos e contou com a participação de 35 crianças. Resultados e discussão: a ONG Verde Vida, localizada no bairro Bom Pastor em Chapecó/Santa Catarina, desenvolve um programa social vinculado à Proteção Social Básica Preventiva, ofertando oficinas artísticas, culturais, esportivas e de lazer no contraturno escolar, com foco no fortalecimento de vínculos familiares e comunitários (Verde Vida, 2025). Para realização da ação, os estudantes fizeram uma visita prévia ao local a fim de compreender a realidade das crianças e identificar demandas prioritárias. Por meio do diálogo com os coordenadores constatou-se que a temática da higiene pessoal se destacava como uma das necessidades mais urgentes a serem trabalhadas com o grupo. Nesse contexto, o grupo elaborou uma atividade lúdica com a proposta de desenhar o corpo humano em papel kraft. A dinâmica contou com uma competição entre meninas e meninos, estimulando o engajamento e a participação ativa. Posteriormente, as crianças posicionaram diferentes itens de higiene em partes do corpo humano correspondentes ao seu uso, enquanto eram realizadas explicações simples e objetivas sobre a importância dos cuidados básicos de higiene, tanto na prevenção de doenças quanto na promoção da saúde e do bem-estar pessoal e no convívio social. Ao final da atividade, os estudantes promoveram uma conversa de encerramento, em que os participantes revisaram os conteúdos e situações abordados, demonstrando entusiasmo e capacidade de reter e aplicar os conhecimentos discutidos. A experiência evidenciou a relevância de metodologias ativas e recursos lúdicos no processo de educação em saúde, especialmente em contextos de vulnerabilidade social, pois possibilitou e estimulou o envolvimento e a compreensão das crianças. Essas estratégias dialogam com as diretrizes do Programa Saúde na Escola (PSE) que, desde sua criação, tem buscado integrar saúde e educação na perspectiva da promoção da saúde e da prevenção de agravos, considerando a escola e espaços sociais semelhantes como ambientes privilegiados para a formação de hábitos saudáveis (Brasil, 2021). Dessa forma, a ação contribuiu não apenas para ampliar o conhecimento das crianças acerca da higiene pessoal, mas também para fortalecer práticas educativas alinhadas às políticas públicas de saúde e de proteção social. Contribuições do trabalho em direção aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: a ação realizada contribuiu diretamente para três Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Em relação ao ODS 3 – Saúde e Bem-Estar, especialmente à meta 3.3, que visa a reduzir doenças transmissíveis por meio da promoção da saúde, a atividade de educação em higiene pessoal atuou na prevenção de agravos e na construção de hábitos saudáveis entre crianças em situação de vulnerabilidade. Quanto ao ODS 4 – Educação de Qualidade, com destaque para a meta 4.7, que busca assegurar conhecimentos e habilidades necessárias para promover o desenvolvimento sustentável aos educandos, a ação possibilitou o aprendizado por meio de atividade lúdica, incentivando a autonomia e o protagonismo infantil no processo de aprendizagem. Por fim, no que se refere ao ODS 10 – Redução das Desigualdades, em especial a meta 10.2, que trata da promoção da inclusão social, econômica e política de todas as pessoas, o trabalho realizado reforçou a importância de oferecer oportunidades educativas em espaços de convivência comunitária, fortalecendo vínculos sociais e reduzindo disparidades de acesso a informações de saúde. Considerações finais: as atividades desenvolvidas demonstraram que o uso de recursos lúdicos e interativos é uma estratégia eficaz para promover a educação em saúde junto a crianças em idade escolar, favorecendo a compreensão e a assimilação de conceitos básicos de higiene pessoal. A experiência evidenciou não apenas a relevância do tema, mas também o impacto social positivo ao estimular hábitos saudáveis desde a infância, em um contexto de vulnerabilidade social. Contudo, por se tratar de um relato de experiência pontual, uma das principais limitações é a ausência de acompanhamento longitudinal, o que impossibilita avaliar a aprendizagem em médio e longo prazo, com incorporação das práticas de higiene à vida cotidiana. Recomenda-se que futuras ações sejam estruturadas de forma contínua, incluindo avaliações periódicas, a fim de verificar mudanças comportamentais efetivas. Além disso, estudos mais aprofundados poderiam explorar a comparação entre diferentes metodologias de ensino em saúde para crianças, de modo a identificar estratégias com maior potencial de impacto educacional e social.

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Publicado

16-01-2026