EDUCAÇÃO EM SAÚDE PARA GRUPO DE PESSOAS COM DIABETES E HIPERTENSÃO: RELATO DE EXPERIÊNCIA

Autores

Resumo

Introdução: O relato de experiência de um grupo educativo de pessoas com diabetes e hipertensão, realizado na rede de atenção primária, é o tema que norteia essa descrição, sob a ótica de prevenir complicações, o manejo das doenças crônicas e a promoção do bem estar. Essa proposta de ação educativa foi objeto do projeto de intervenção do Curso de Especialização em Atenção às Pessoas com Doenças Crônicas Não-Transmissíveis, ofertado pela Universidade Federal de Santa Catarina, realizado no ano de 2023, em razão de fortalecer as políticas públicas de saúde do Sistema Único de Saúde. A atenção primária é a porta de entrada do sistema de saúde e o local estratégico para enfrentar as doenças crônicas. Conforme Brasil (2021), as doenças e agravos não transmissíveis são responsáveis por mais da metade do total de mortes no Brasil. Em 2019, 54,7% dos óbitos registrados no Brasil foram causados por doenças crônicas não transmissíveis e 11,5% por agravos. As doenças crônicas constituem o grupo de doenças de maior magnitude no País, atingindo, especialmente, as populações mais vulneráveis, como as de baixas renda e escolaridade (Costa; Silva; Jatoba, 2023). Para sinalizar a preocupação com essa questão, em 2011, foi lançado o Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento as Doenças Crônicas Não Crônicas que aborda os quatro principais grupos de doenças crônicas não transmissíveis (cardiovasculares, câncer, respiratórias crônicas e diabetes) e seus fatores de risco modificáveis (tabagismo, consumo abusivo de álcool, inatividade física, alimentação inadequada e obesidade) e define diretrizes e ações em três eixos: vigilância, informação, avaliação e monitoramento,  promoção da saúde e o cuidado integral (Brasil, 2021). A Promoção da saúde é compreendida como resultante da interação de fatores sociais, econômicos, culturais e políticos, que produzem, com sujeito e coletivos, as condições objetivas de vida nos diversos contextos sociais, favoráveis ou não à saúde. A promoção da saúde, compreendida como uma construção coletiva que envolve fatores sociais, culturais, econômicos e políticos, está diretamente ligada ao enfrentamento dos determinantes sociais da saúde. Nesse contexto, as atividades de grupo na Atenção Primária tornam-se estratégias fundamentais para o fortalecimento de capacidades individuais e coletivas, promovendo o protagonismo dos sujeitos sobre sua própria saúde e ampliando a participação social nos processos de decisão. Tais atividades favorecem a criação de vínculos, a troca de saberes e o estímulo ao autocuidado, atuando como espaços concretos de promoção da saúde e transformação social (Brasil, 2021). Assim, esse estudo visa relatar essa experiência de grupo educativo no território. Objetivos: Relatar a experiência do grupo de educação em saúde para pessoas portadoras de hipertensão e diabetes, a fim de promover espaços de reflexão no território. Metodologia:  O plano de intervenção foi baseado nas atividades de educação em saúde na comunidade de Campinas/Kobrasol no município de São José/SC, na ocasião as equipes de atenção primária, realizaram a capacitação referente ao plano de atenção em saúde para pacientes hipertensos e diabéticos, para o cumprimento das Diretrizes do Plano de Enfrentamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis, com o intuito de atender os objetivos estabelecidos, manutenção de repasse dos recursos financeiros para a gestão municipal, para a continuidade das ações do cuidado continuado dos usuários. Os encontros de educação em saúde ocorreram às sextas-feiras, no período vespertino, com duração de 2h. Os responsáveis pela organização dos encontros: equipe de atenção primária à saúde e equipe multiprofissional. O público-alvo: foi masculina e feminina, faixa etária superior a 18 anos, com ou sem comorbidades. O local foram espaços comunitários e sala de reunião da unidade de atenção primária no bairro Campinas, em livre demanda. Os recursos utilizados para organizar e possibilitar o troca de conhecimento foram: roda de conversa e oficina educativa. A roda de conversa, foi aplicada com o intuito de conhecer o perfil dos usuários, estabelecer o diálogo e a escuta qualificada, de modo que todos os participantes se pronunciem de forma empática. Para a roda, os temas eram apontados pelos próprios usuários, a fim de fomentar o alinhamento com os profissionais de saúde para gerar uma compreensão ampliada acerca das dúvidas apontadas. Outro recurso também adotado foi a oficina educativa aplicada por meio de simulação entre os usuários e profissionais de saúde, a partir de situações práticas como: a utilizar as medicações via oral ou aplicação subcutânea, aferição de pressão arterial, índices glicêmicos, manejo e uso das canetas de insulinoterapia, locais de aplicação da insulina, atrelado a isso também era ofertado avaliação nutricional, índice de massa corpórea e prescrito a reeducação alimentar e a prática de atividade física, de acordo com a avaliação profissional.  A consulta clínica e a busca ativa através dos agentes comunitários de saúde, foram estratégias usadas para a captação dos usuários para a participação do grupo educativo. Resultados e Discussão: O planejamento para a realização de grupos educativos na comunidade, sempre apontará desafios, principalmente no período pós-pandêmico, as pessoas estão se reintegrando às atividades coletivas, sedentos por buscar recursos que apontem para uma perspectiva de vida com qualidade, longevidade e inclusão nos serviços de saúde. Durante as reuniões, alguns pontos eram observados, para avaliar a aderência dos usuários às orientações como: mudanças de hábitos voltadas à redução do consumo de alimentos  ultraprocesssados, açúcar, álcool e produtos fumígeros derivados ou não de tabaco e aumento da prática  de atividade física relacionadas à promoção da saúde, autocuidado e acesso a calçados adequados, uso racional de medicamentos, adesão aos tratamentos, monitoramento de padrão de glicose e aferição diária de pressão arterial, o direito a acesso de imunólogos especiais para portadores de cardiopatias e diabetes (Brasil, 2021). No estudo, Educação em Saúde como Estratégias para Prevenção de Doenças Crônicas na Atenção Básica, lançado em 2025, reafirma que as estratégias de educação em saúde implementadas na atenção básica para a prevenção de doenças crônicas, com ênfase no papel do enfermeiro, bem como compreender as metodologias utilizadas e os impactos na saúde dos indivíduos e na prática profissional. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, realizada por meio da análise de dez artigos científicos e um texto teórico, selecionados conforme critérios de relevância e rigor metodológico. A análise revelou consenso entre os autores sobre a importância da educação em saúde no enfrentamento das doenças crônicas, com destaque para as equipes multiprofissionais (Nascimento, Bandeira; Souza; Angel, 2025). As metodologias usadas nos grupos educativos, poderiam ser várias, porém as utilizadas foram roda de conversa e oficina educativa, o que possibilitou os usuários expressar suas angústias, dúvidas, simular comportamentos que encenavam mudanças de hábitos de forma positiva, principalmente quando as ações de saúde eram gerenciadas por profissionais de saúde. Na ação pratica apresentada, predominou o perfil adulto, com maior participação feminina, com redução de morbimortalidade, acompanhamento regular da saúde e fortalecimento de uns dos principais objetivos do plano de enfretamento das doenças crônicas que é promover a saúde. A contribuição do trabalho em direção aos Objetivos de Desenvolvimento de Sustentabilidade (ODS): a educação em saúde no debate da hipertensão e do diabetes convergem às ações que constituem a Agenda 2030 e os (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU). Com destaque para o ODS 3: Saúde e Bem-Estar, é assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades, de forma global e meta 3.4 é reduzir a mortalidade prematura por doenças não transmissíveis (UNITED NATION, 2015). Considerações Finais: Na circunstância, a estratégia de grupos educativos ofertados à comunidade é de fundamental importância para fortalecer o vínculo entre profissionais de saúde e usuários, pois capacita os usuários para uma reflexão sobre escolhas mais saudáveis, aderência aos tratamentos, com o intuito do bem viver de forma sustentável.

Downloads

Publicado

16-01-2026