DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA E MEDICINA: ENFRENTANDO A DESINFORMAÇÃO EM SAÚDE POR MEIO DE REDES SOCIAIS
Resumo
Introdução: A população não especialista recorre amplamente às mídias digitais como fonte de informações em saúde, sobretudo pela praticidade que oferecem, contudo, a disseminação cada vez maior de desinformação em saúde tem se tornado um desafio significativo (Sathianathan; Mhd Ali; Chong, 2025). Nesse cenário de desinformação, a extensão universitária assume papel estratégico ao levar à sociedade conhecimentos produzidos na academia de forma acessível e confiável, fortalecendo a capacidade crítica da população frente a conteúdos enganosos. Para reduzir a distância entre a ciência e a sociedade e atuar de forma a promover conhecimento enfrentando a desinformação, a divulgação científica é fundamental, especialmente quando se utiliza de recursos contemporâneos. As redes sociais digitais, cada vez mais presentes no cotidiano da população, constituem espaços eficazes para tornar o conhecimento mais acessível e atrativo. O uso de recursos visuais, linguagem simplificada e formatos interativos em plataformas como o Instagram tem se mostrado eficazes para tornar conteúdos científicos complexos mais acessíveis à população geral. Essa abordagem favorece a disseminação de informações confiáveis, em detrimento a informações falsas e estimula a curiosidade científica promovendo maior compreensão sobre assuntos relevantes à saúde pública (Menegusse; Silva; Gomes, 2021), como a sinalização purinérgica abordada no projeto de extensão em questão. Objetivo: Compartilhar a experiência de estudantes de medicina na utilização das redes sociais como ferramenta de divulgação científica e enfrentamento à desinformação em saúde, a partir do projeto de extensão universitária “Explicando o Sistema Purinérgico para a Comunidade”. Metodologia: Trata-se de um relato de experiência de um projeto de extensão universitária que descreve uma iniciativa de divulgação científica, desenvolvida por meio de publicações em redes sociais digitais. O projeto “Explicando o Sistema Purinérgico para a Comunidade” é desenvolvido na Universidade Federal da Fronteira Sul de Chapecó, Santa Catarina. Atualmente as ações são realizadas por cinco alunos do curso de medicina e coordenadas por duas professoras do curso. A atividade é realizada semanalmente, seguindo um fluxo contínuo de ações. O processo tem início com a busca por artigos científicos atualizados, utilizando a expressão "Purinergic Signaling" como estratégia de pesquisa em bases de dados indexadas. Os artigos selecionados são lidos e analisados cuidadosamente, com o objetivo de interpretar os conceitos-chave e reestruturá-los em uma linguagem compreensível para o público não especializado. A partir dessas informações, são criados materiais digitais na plataforma Canva, com uso de elementos gráficos e linguagem visual adaptada. As publicações são organizadas em diferentes formatos, como imagens e vídeos para a publicação permanente e para publicação por 24 horas. A programação semanal estabelece a divulgação do conteúdo completo, devidamente adaptado, na página do Instagram “@purinas.extensaouffs”. Resultados e discussão: A experiência do projeto resultou na divulgação contínua de conteúdos científicos adaptados para linguagem acessível, utilizando o Instagram como principal meio de comunicação. A busca por informações em bases de dados como o PubMed garantiu a utilização de produções científicas atuais e confiáveis, enquanto o uso do Canva possibilitou a elaboração de publicações visualmente atrativas, com elementos gráficos e ilustrações didáticas. A linguagem acessível e a forma de apresentação dos dados científicos são capazes de estimular positivamente o engajamento (Rezende; Drumond; 2024), o que permite que a informação chegue a mais pessoas. As publicações semanais abordaram aspectos fisiológicos e patológicos da sinalização purinérgica, despertando o interesse do público por um tema pouco explorado fora do ambiente acadêmico. Essa sistematização busca alinhar a periodicidade da produção com a lógica de consumo de conteúdo nas redes sociais, tornando o conhecimento acadêmico mais acessível, dinâmico e atrativo. A interação através de comentários, curtidas e compartilhamentos evidenciou o impacto positivo na disseminação do conhecimento científico, além de contribuir para o combate à desinformação em saúde. A ciência exerce influência do nível individual ao coletivo, exigindo conhecimento científico básico para que a sociedade possa lidar com descobertas, inovações tecnológicas e desafios ambientais ou biomédicos. Para que possa colaborar com os desafios enfrentados, a comunicação científica precisa preservar uma postura crítica diante da produção científica, abrindo espaço para debater tanto os avanços quanto os possíveis riscos ou limitações de cada pesquisa (Barata; Caldas; Gascoigne, 2018). Sob essa ótica, o diálogo entre cientistas e não especialistas torna-se uma estratégia relevante para ampliar a alfabetização científica e facilitar a compreensão das inovações científicas (Swords et al., 2023). O estabelecimento de uma comunicação científica eficaz e de relações pautadas na confiança entre pesquisadores e não especialistas é essencial para o combate à desinformação em saúde. Nessa perspectiva, destaca-se a relevância de programas de extensão universitária que promovem a comunicação científica de forma acessível, pois ao mesmo tempo em que desenvolvem as competências dos estudantes nessa área, também fortalecem o engajamento da sociedade com a ciência. Além disso, o projeto também possibilita aos estudantes o desenvolvimento de habilidades comunicacionais com o público leigo, algo fundamental para profissionais da saúde, que trabalharão diretamente com a população não especializada. Contribuições do trabalho em direção aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: O projeto se relaciona com o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) número 9 – Construir infraestruturas resilientes, promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação - , em especial às metas 9.5 e 9.b, no sentido de incentivar a curiosidade científica e, indiretamente, fomentar o interesse por pesquisas que proponham novas soluções terapêuticas através da sinalização purinérgica. Nesse contexto, a extensão universitária voltada à divulgação científica atua como ponte entre o conhecimento produzido na universidade e a sociedade, contribuindo para a formação de uma cultura inovadora e para o desenvolvimento de capacidades locais alinhadas às metas do ODS 9. Considerações finais: A divulgação científica em linguagem acessível e adaptada à atualidade da sociedade é importante para a disseminação de conteúdo verídico em detrimento à desinformação. Além disso, essa comunicação possibilita a aproximação dos avanços e descobertas da academia com a sociedade, algo fundamental para a construção de vínculos sólidos entre a universidade e a comunidade. Recomenda-se para pesquisas futuras a avaliação quantitativa de projetos universitários voltados à aproximação das inovações acadêmicas em saúde à comunidade externa e os impactos na desinformação em saúde.
