PARA ALÉM DO SUJEITO
POR UMA FILOSOFIA DA COMUM-EXISTÊNCIA
Palabras clave:
Comum-existência, Arqueogenealogia, Ser-comResumen
Esta comunicação parte pressuposto de que há uma cultura de saberes e práticas dispersos e encobertos do que poderíamos nomear de comum-existência. Trata-se de um conjunto de práticas e saberes historicamente disperso, frequentemente encobertos por um discurso centrado no sujeito individual. A questão que se coloca é: como fazer falar as diferentes práticas e saberes duma cultura da comum-existência dispersos na história? Para enfrentar esta questão, propomos pensar a partir de um exercício filosófico que não busque dizer a verdade sobre o comum, mas que faça falar e que traga a superfície, saberes e práticas heterogêneas dispersas do ser-com e do habitar o entre. Para tanto, forja-se o conceito de comum-existência como ferramenta analítica para tornar visíveis práticas de habitar o entre e do ser-com que possam subsidiar as investigações e a produção de contradiscursos às lógicas individualistas e neoliberais. Diferentemente de coexistência, que justapõe existências pré‑constituídas, o substantivo composto comum-existência evoca, por um lado, a raiz cum (partilha) e o radical mūn- (encargo, dádiva, dom) presentes na palavra comum e, por outro, o verbo ex-sistere (emergir, colocar-se para fora). Indica-se, assim, que o ato de existir já é, desde sua raiz, um ato de participar do comum, não apenas por justaposição, mas por partilha constitutiva. Não objetiva-se romantizar formas de vida associadas e coletivas pretéritas, nem restaurar teorias do comunismo ou do comunitarismo mesmo que sejam implicadas, mas compreender como em diferentes manifestações de vida comum, se produziram saberes e praticas e que se expressaram em uma ontologia do comum.
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