A MARGEM PERMISSIVA DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER OCULTADA NOS SÍMBOLOS CULTURAIS, LINGUISTICOS E RELIGIOSOS
Resumo
O presente texto baseia-se principalmente em Pierre Bourdieu, em sua obra "O Poder Simbólico", para despertar o interesse para as diversas formas de violências simbólicas que dão margem à violência contra a mulher, camuflando-se e preservados por gerações, por meio da cultura, da linguagem e da religião, mantendo a mulher numa condição oprimida e servil, mas sem que se identifique como tal, de maneira que podem se contrapor a qualquer ruptura desses hábitos, enquanto inconscientemente reproduzem tal ordem sistêmica, conforme resume o autor sobre a perpetuação do poder simbólico exercido. Como quebra de paradigma, é possível extrair de Norberto Bobbio, em "A Era dos Direitos", que o ser humano deve ter sempre a preocupação de manter a distinção entre a teoria e a prática, tendo em mente que ambas percorrem duas estradas diversas em velocidades muito desiguais. No caso da sobreposição de gênero, tendo a violência simbólica como instrumento, conforme Bourdieu, a teoria é desconhecida da camada oprimida, uma vez que o poder simbólico é imperceptível possibilitando, assim, que o combate a essa violência e a sua prática, sejam de fato díspares.