Peonato e Agregamento: reflexos do processo colonizador e racializante no Oeste Catarinense (1940-1980)
Palavras-chave:
Empreitada, Peonato, Agregamento, Camponeses nacionais, Velho Coronel FreitasResumo
Expropriadas da terra e de seu modo de vida, inúmeras famílias posseiras precisaram se adequar ao sistema colonizador perpetrado pela iniciativa privada no Oeste Catarinense. A prestação de serviços agrícolas foi uma das formas de “inserção” social que esses lavradores nacionais encontraram para a manutenção da sobrevivência na região. Esta pesquisa tem por objetivo compreender a dinâmica da mão de obra, a partir das categorias de trabalho nominadas peonato e agregamento em pequenas e médias propriedades caracterizadas pela produção local para o consumo e a comercialização de excedentes (agricultura familiar) no Velho Coronel Freitas, entre 1940 a 1980. A pergunta que conduz a pesquisa é: De que maneira a dinâmica da mão de obra de não proprietários no Velho Coronel Freitas, a partir do agregamento e do peonato, em pequenas e médias propriedades rurais, manifesta o sistema colonizador e racializante como fatores de estruturação social e agrária na região? Proponho pensar o processo colonizador e racializante como fatores determinantes da divisão social do trabalho entre colonos “de origem” e camponeses nacionais. O campo teórico ancora-se na História social agrária (Motta, 1996; Both, 2012; Mattos, 2013) em perspectiva de análise nas relações étnico-raciais (Bento, 2022; Della Flora, 2024). As fontes de pesquisa são documentos cartoriais, sindicais, judiciais e orais. Os resultados indicam que a presença de camponeses nacionais no Velho Coronel Freitas era substancial, sendo estes, em grande medida, sem-terra, os quais precisavam submeter sua mão de obra através do peonato e do agregamento, modalidades que geravam instabilidade e insegurança social para essas famílias.
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