COMPANHIAS COLONIZADORAS E OS INTRUSOS DO FAXINAL DO TIGRE(GUATAMBU, SC)
Palavras-chave:
Colonização, Guatambu, Intrusos, Faxinal do Tigre, CaboclosResumo
Por ser uma região de fronteira, descrita pelo poder público como região de “vazio demográfico”, o oeste catarinense, nas primeiras décadas do século XX, vai se tornar alvo fácil das companhias colonizadoras, que recebem do governo concessões para a venda de grandes faixas de terra, atendendo o que preconizava a política de colonização nacional no Brasil republicano: povoar/civilizar/branquear/progredir e colocar o país no ritmo das nações avançadas. De um lado o Estado, que necessitava povoar urgentemente a região para garantir a sua posse e, de outro, as companhias colonizadoras, que com seus proprietários e agentes de venda, em troca do assentamento dos colonos na região e da construção de estradas, recebiam do governo as chamadas terras devolutas demarcadas e vendidas aos imigrantes e migrantes. Assim, a faixa Oeste de Santa Catarina, à revelia dos seus antigos habitantes indígenas e caboclos, recebe uma leva considerada de migrantes de origem ítalo e teuto-brasileiras, proveniente das antigas colônias sul riograndenses, chamados colonos de ‘origem’ ou ‘gringos’, como os escolhidos pelos órgãos públicos e privados, para efetivar o modelo de colonização pensado pós promulgação da Lei de Terras (1850). Por esse modelo, caboclos e indígenas eram excluídos da ocupação territorial, pois não capitalizavam a terra, nem produziam o excedente para venda, como preterido pelas autoridades estaduais (Brandt; Nodari, 2011) Através de análise de dados do cartório local, dos pedidos de posse, registros de compra e venda dos Arquivos Públicos e, especialmente dos depoimentos orais, pretende-se compreender como o Estado e as companhias colonizadoras atingiram em cheio o modo de vida daqueles que não tinham o título legal da terra no povoado do Faxinal do Tigre, localizado atualmente no município de Guatambu, Oeste de Santa Catarina, os caracterizando de “intrusos”. O que permeou o cerceamento do acesso à terra e a retirada dessa população das áreas ocupadas na ‘paisagem cabocla’ de “expressão identitária (...) de pertencimento” (Almeida, 2004, p. 28), constituindo um grupo étnico forçado a desestruturação de seu modo de vida, suas temporalidades e territorialidades (Little, 2002) construídas a partir de suas práticas com a floresta (Furlan, 2006), memórias, conflitos e alteridades.
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