CLASSIFICAÇÃO, DISCURSO E PODER: UMA LEITURA DECOLONIAL DO MUSEU DA AMÉRICA EM MADRI
Palavras-chave:
Museologia. Colonialidade. Teoria decolonial. Museu da América.Resumo
O presente trabalho propõe uma análise das narrativas museológicas sobre povos indígenas americanos no Museu da América, a partir de uma perspectiva decolonial. A investigação parte do problema de compreender como a instituição constrói discursivamente essas populações em suas exposições, observando de que maneira o processo colonial é representado, enquadrado ou eventualmente atenuado, tanto nas exposições permanentes quanto nas exposições temporárias em exibição no mês de janeiro de 2026. O estudo tem como objetivo examinar textos curatoriais, critérios de classificação dos objetos e a organização espacial das salas expositivas, buscando identificar permanências, tensões e possíveis deslocamentos em relação às epistemologias coloniais que historicamente estruturaram os museus europeus, bem como eventuais atualizações discursivas presentes nas propostas curatoriais temporárias. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa em andamento, baseada em observação direta realizada durante visita presencial ao museu, com registro fotográfico sistemático das exposições e leitura crítica dos materiais informativos disponibilizados ao público. O referencial teórico dialoga com os estudos decoloniais, especialmente com os conceitos de colonialidade do poder e do saber formulados por Aníbal Quijano e Walter Mignolo, além das contribuições de Françoise Vergès para a crítica das instituições museais modernas. A pesquisa encontra-se em fase de sistematização do material coletado, buscando problematizar como o museu negocia, atualiza ou reconfigura a memória colonial no presente, bem como os limites e as possibilidades de representação da agência histórica indígena.
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