Memória Pública e Patrimônio da Guerra contra o Paraguai (1864-1870) em São Paulo

Autores

  • Nathan Chraister Santos Lourenço Universidade Federal da Fronteira Sul Autor

Palavras-chave:

História Social. Micro história. Patrimônio. Interdisciplinaridade. Guerra contra o Paraguai.

Resumo

A Guerra contra o Paraguai (1864-1870) é consolidada na literatura historiográfica como o maior conflito da América do Sul, com impactos que transcendem as fronteiras dos países beligerantes (Chiavenatto, 1993; Maestri, 2009; Doratioto, 2022). Embora o território paraguaio tenha sido o palco principal, as consequências da guerra reverberaram profundamente nas províncias brasileiras, afetando as dinâmicas sociais e políticas locais (Ferrer, 2005; Rodrigues, 2009; 2024; Faria, 2017; Silva, 2021). Assim, o presente estudo propõe analisar a construção da memória pública em torno do patrimônio da Guerra do Paraguai na cidade de São Paulo, profundamente afetada pelo conflito à época (Silva, 2021). Adotando uma perspectiva interdisciplinar entre História e Patrimônio, a pesquisa utiliza análise documental e iconográfica de marcos urbanos, examinando como o monumento dialoga com o exaltamento dos grandes nomes e o silenciamento das classes baixas quando inseridos em espaços públicos (Meneses, 1998; Haigert, 2005; Peixoto, 2009).  Para tanto, investigam-se locais cuja conexão com o conflito é frequentemente invisibilizada no cotidiano, como o Busto do Almirante Tamandaré (Ibirapuera), a estátua do Duque de Caxias (Praça princesa Isabel) e a toponímia da Rua Voluntários da Pátria (Santana). Inclui-se, ainda, o estudo do "Marco aos Voluntários da Pátria" (na Praça Matriz, na Freguesia do Ó), exemplar da memória comunitária retirado há dez anos sem justificativas após uma reforma na Praça Matriz, na qual estava inserido. A pesquisa justifica-se ao identificar o patrimônio como um campo de disputas: enquanto a estatuária exalta líderes militares, as narrativas sobre os sujeitos recrutados à força e a violência da mobilização são olvidadas (Silva, 2021; Rodrigues, 2024). Dessa forma, os resultados esperados apontam para a compreensão de que a preservação patrimonial paulistana opera de forma seletiva, consolidando uma memória institucional que prioriza o heroísmo em detrimento das tensões sociais causadas a partir da formação do exército nacional para ser enviado à Guerra contra o Paraguai.

Publicado

06-06-2026

Edição

Seção

Patrimônios em Disputa: Memórias, Conflitos e Resistências