Ensaios de modernização nos espaços de colonização do Oeste catarinense (1920-1950)

Autores

  • MARILIZE RADIN FRATTINI UFFS Autor

Palavras-chave:

Migração. Colonização. Práticas Agrícolas. Oeste catarinense.

Resumo

Esta comunicação analisa as práticas produtivas no Oeste de Santa Catarina entre 1920 e 1950, período que antecedeu a modernização agrícola clássica. A pesquisa examina como a fixação de colonos, descendentes de europeus, provenientes sobretudo das primeiras colônias agrícolas do Rio Grande do Sul, possibilitou o manejo do solo por meio da adoção de novos sistemas de plantio e do uso de máquinas e implementos agrícolas. Busca-se demonstrar que a consolidação do espaço produtivo regional não decorreu apenas de condições normativas preexistentes no interior das estruturas sociais, mas também da assimilação de saberes adquiridos no contato com as populações tradicionais e da adaptação dos sujeitos ao território. Nesse sentido, embora o discurso oficial da época frequentemente estigmatizasse as práticas caboclas, os colonos integraram conhecimentos locais essenciais para a viabilidade da atividade no novo ambiente. O estudo enfatiza o papel do Estado no fomento agrícola, articulado à atuação da iniciativa privada. A partir da década de 1930, políticas de incentivo e o surgimento de indústrias regionais de máquinas introduziram tecnologias que elevaram a produtividade. Aliado a esse cenário, a presença da ferrovia São Paulo-Rio Grande, no Vale do Rio do Peixe, apresentou-se como fator determinante ao permitir o escoamento de excedentes para os grandes centros nacionais, viabilizando a inserção das pequenas propriedades na economia mercantil. Metodologicamente, o estudo pauta-se na análise bibliográfica e documental, utilizando fontes do Arquivo Público do Estado de Santa Catarina, mensagens governamentais, censos do IBGE, fotografias e jornais. Os resultados indicam que o fomento estatal e a utilização de máquinas e implementos foram os fatores determinantes para a geração e comercialização de excedentes, processo que foi acompanhado pela assimilação de saberes tradicionais. Tais elementos constituíram as bases para a dinamização do capital comercial e industrial que, integrados ao mercado nacional, alteraram a condição socioeconômica regional. Esse cenário transformou a paisagem e a identidade local, consolidando a pequena agricultura como o alicerce da expansão econômica regional nas décadas seguintes.

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Publicado

06-06-2026

Edição

Seção

Processos migratórios e imigratórios na fronteira sul do Brasil: passado e presente