Conflitos, Memórias e Reexistências no Mundo Rural a partir dos casos de Pinhalzinho/SC e San Pedro, Misiones (1930–1960)

Autores

  • Bruno Bruno Pereira de Lima Aranha Museu Pinhalzinho/SC Autor

Palavras-chave:

Fronteira. Oeste Catarinense. Pinhalzinho. Misiones. Argentina

Resumo

Ao abordar a fronteira entre Brasil e Argentina como uma borderland, este trabalho propõe analisá-la não como simples linha divisória, mas como zona histórica de contato, circulação e conflito (BOLTON, 1921; PRATT, 1999), onde se confrontaram distintos projetos de ocupação territorial ao longo do século XX. O recorte privilegia as localidades de Pinhalzinho (oeste de Santa Catarina) e San Pedro (província de Misiones), a partir da década de 1930, momento de intensificação das políticas estatais e empresariais de colonização nos dois países (SÁ, 2023).

A pesquisa investiga como a expansão colonizadora — impulsionada por companhias privadas, políticas nacionais de integração territorial e discursos de “progresso” — reconfigurou territórios rurais até então marcados pela presença de caboclos, indígenas, pequenos posseiros e comunidades tradicionais (BAUERMANN; BRANDT, 2019). Ao mesmo tempo, busca compreender as formas de resistência e reexistência desses grupos diante dos processos de expropriação, disciplinamento do trabalho e redefinição das formas de uso da terra.

O corpus documental inclui plantas e mapas de empresas colonizadoras, depoimentos de colonos preservados no Acervo de História Oral do Museu Histórico de Pinhalzinho, além de fotografias e relatórios do Museu Cacique Bonifacio Maidana, em San Pedro. A análise comparativa evidencia que, embora inseridos em um mesmo bioma e atravessados por dinâmicas socioeconômicas semelhantes, os dois lados da fronteira experimentaram modalidades distintas de intervenção estatal, estrutura fundiária e organização do trabalho rural, produzindo conflitos específicos e diferentes configurações territoriais.

Ao articular fronteira, território, memória e mundo do trabalho, o estudo contribui para o debate sobre as múltiplas territorialidades em disputa no sul da América Latina, destacando como experiências locais revelam tanto a força dos projetos de modernização agrária quanto as estratégias cotidianas de permanência e reexistência construídas pelos sujeitos históricos que habitaram — e ainda habitam — esses espaços fronteiriços.

Publicado

06-06-2026

Edição

Seção

Fronteiras, conflitos e reexistências: territórios rurais em disputa na América Latina