ARQUEOLOGIA, PATRIMÔNIO E HISTÓRIA AMBIENTAL DAS RUÍNAS DA FORTALEZA DE HUMAITÁ: DINÂMICA ENTRÓPICA E PRESERVAÇÃO DA PAISAGEM HISTÓRICA DA GUERRA DA TRÍPLICE ALIANÇA
Palavras-chave:
Patrimônio, HIstória Ambiental, Arqueologia, Entropia, Guerra da Tríplice AliançaResumo
No campo da arqueologia, as ruínas se caracterizam como termo técnico para estruturas que resistiram ao tempo, assim, sua presença dentro de uma paisagem histórica pode ser interpretada como um modo de aprendizagem e percepção do passado, expressando de maneira simultânea a ação humana e os processos naturais que atuam na sua degradação material. Desta forma, as ruínas fazem parte da preservação histórica do passado atuando no presente, mantendo a expressão material tensionada pela cultura e pelo ambiente natural (Simmel, 1998). As ruínas da fortaleza de Humaitá conservam a narrativa e a memória de resistência do exército paraguaio durante a Guerra da Tríplice Aliança ocorrida no século XIX. Um fator importante que caracteriza a fortaleza é a sua localização na margem do rio Paraguai, sendo essa projeção, uma ação estratégica dos militares paraguaios na utilização do recurso natural como agente na construção de um sistema defensivo (Nakayama, 2018). Contudo, o presente projeto tem como objetivo discutir a preservação das ruínas de Humaitá, associando-se à memória do conflito, analisadas sobre uma perspectiva da história ambiental e da arqueologia, devido a inserção do patrimônio histórico em uma paisagem fluvial, marcada por constantes processos naturais. Neste sentido, o estudo busca entender de que maneira as práticas de preservação das ruínas podem atuar na estabilização ecológica da entropia patrimonial, conservando a paisagem e a memória histórica da Guerra da Tríplice Aliança, justificando-se devido a importância da preservação do patrimônio que narra a perspectiva paraguaia no conflito, bem como a compreensão da influência dos processos naturais atuantes na arquitetura, em que sua deterioração natural auxilia no reconhecimento como parte integrante da paisagem e preserva sua condição de objeto histórico (Lima; Meneguetti; Hirao, 2017). A partir de uma abordagem bibliográfica e iconográfica, o estudo utiliza-se de obras que incluem conceitos relacionados às ciências humanas e naturais, especificamente de bases teóricas da arqueologia, história ambiental e da preservação patrimonial. Por fim, as ruínas de Humaitá além de vestígio material do conflito, se caracteriza como resultado da relação entre memória histórica, processos ambientais, paisagem e políticas patrimoniais, auxiliando no sentimento de resistência e identidade paraguaia.
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