Gênero, Prostituição e Moralidade em Chapecó(1980–1990)

Autores

  • Eduarda Sachet Lanzarin UFFS Autor
  • Renilda Vicenzi Autor

Palavras-chave:

Gênero, Prostituição, Moralidade

Resumo

Este trabalho tem como objetivo analisar as representações e as práticas de controle moral direcionadas à prostituição em Chapecó durante a década de 1980 com foco nas relações de gênero. A pesquisa busca compreender de que maneira mulheres envolvidas com a prostituição foram narradas, classificadas e julgadas por autoridades policiais, judiciais e pela própria sociedade local, a partir de inquéritos policiais e processos judiciais do período. A justificativa da pesquisa parte de uma interesse pessoal e acadêmico diante do silenciamento histórico dessas mulheres nos registros oficiais (Fáveri, 2020). Embora presentes nos documentos, suas vozes aparecem mediadas por discursos jurídicos e morais, que reforçam estigmas e hierarquias de gênero. A metodologia desse trabalho baseia-se na análise qualitativa de três inquéritos policiais da década de 1980, localizados no acervo do Centro de Memória do Oeste de Santa Catarina (CEOM). A leitura das fontes é orientada pela categoria de gênero (Scott, 1995), atentando-se à linguagem empregada nos autos, às formas de nomeação dos sujeitos e às representações construídas sobre moralidade, criminalidade e sexualidade. A pesquisa ainda está em andamento e como resultados esperados, é possível apontar que a repressão à prostituição recai de forma desigual sobre as mulheres, especialmente aquelas que administravam ou trabalhavam nesses espaços, enquanto a participação masculina é frequentemente secundarizada (Rago, 1991). Ao estudar a prostituição em uma cidade do interior de Santa Catarina, em um contexto de intensas transformações urbanas e sociais, ampliamos os estudos sobre gênero, moralidade e poder no Sul do Brasil, ainda pouco explorados pela historiografia (Afonso; Scopinho, 2013). Os documentos revelam não apenas práticas de controle estatal, mas também a vigilância moral exercida pela comunidade. Os documentos revelam não apenas práticas de controle estatal, mas também a vigilância moral exercida pela comunidade.Por fim,  evidencia-se que a prostituição, longe de ser apenas uma prática marginal, esteve no centro de disputas simbólicas sobre o uso do espaço urbano, os papéis de gênero e os limites da moralidade em Chapecó nos anos 1980.

Publicado

06-06-2026

Edição

Seção

Protagonismos à margem: gênero e relações étnico-raciais na história