A SUBALTERNIDADE DE GÊNERO EM NARRATIVAS MEMORIALÍSTICAS REGIONAIS

Autores

  • Letícia Sgarbossa Universidade Federal da Fronteira Sul - UFFS Autor
  • Dra. Renilda Vicenzi Universidade Federal da Fronteira Sul - UFFS Autor

Palavras-chave:

História das Mulheres. Gênero. Subalternidade. Colonização.

Resumo

O presente trabalho analisa como as mulheres, enquanto categoria generificada, são representadas e/ou silenciadas em narrativas memorialísticas produzidas sobre o processo de colonização do Oeste Catarinense, com foco no município de Seara, entre as décadas de 1920 e 1980. Parte-se do entendimento de que a memória regional foi construída, em grande medida, a partir de obras de caráter memorial que privilegiam trajetórias masculinas, associadas à figura do homem branco, cristão e proprietário de terras, identificado como colono por adquirir a propriedade em lotes localizados em áreas consideradas vazias e denominadas colônias. Essas narrativas reforçam um imaginário patriarcal que marginaliza ou silencia a participação das mulheres nos processos de construção econômica, social e cultural da região. Nesse sentido, a memória oficial, cristalizada em livros comemorativos e materializada em nomes de ruas, praças e outros espaços públicos, evidencia a ausência feminina nos lugares de prestígio e decisão. Tal apagamento não se limita ao plano discursivo, configurando-se como um processo estrutural de longa duração. Ainda que produzidas a partir de posições sociais distintas, essas narrativas tendem a reproduzir uma lógica androcêntrica que naturaliza a exclusão das mulheres ou as restringe a papéis secundários. O estudo insere-se no campo da História das Mulheres e dos Estudos de Gênero, mobilizando o gênero como categoria de análise, conforme proposto por Joan Scott, e dialogando com autoras como Margareth Rago, Mary Del Priore e Gayatri Chakravorty Spivak. Metodologicamente, realiza-se uma leitura crítica de cinco obras memorialísticas produzidas na região, atentando-se aos mecanismos de apagamento, subalternização e enquadramento das mulheres, frequentemente associadas ao espaço doméstico, ao cuidado, à religiosidade e ao papel de “apoio” aos homens. A pesquisa ainda está em andamento e, como resultados esperados, aponta-se que a subalternização feminina nas narrativas sobre a colonização se manifesta como um fenômeno estrutural, atravessado pelas relações de gênero e classe. Os dados analisados indicam que, mesmo quando reconhecidas, as mulheres têm sua atuação recorrentemente vinculada a figuras masculinas ou limitada ao espaço doméstico e comunitário. Por fim, o trabalho busca contribuir para os estudos sobre memória, gênero e história regional, propondo uma releitura crítica das narrativas colonizadoras no Oeste Catarinense.

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Publicado

06-06-2026

Edição

Seção

Protagonismos à margem: gênero e relações étnico-raciais na história