TRAJETÓRIAS ESCOLARES DE MULHERES NEGRAS QUILOMBOLAS - INVERNADA DOS NEGROS - SC
Palavras-chave:
Interseccionalidade, Mulheres quilombolas, Resistência, Trajetórias escolaresResumo
Este estudo visa analisar os percursos escolares das mulheres negras quilombolas, residentes na comunidade da Invernada dos Negros, em Santa Catarina. A partir de uma abordagem teórico-conceitual interseccional, considerando especialmente categorias sociais como raça, gênero e classe (Collins, 2022), (Collins; Bilge, 2020), (Akotirene, 2019), no recorte cronológico do pós-abolição. Com ênfase na coleta e análise de relatos, por meio da oralidade, individuais e coletivas, abrangendo narrativas da infância e juventude com vistas aos impactos da exclusão, da invisibilidade, do racismo, do machismo e das disparidades históricas na experiência escolar das mesmas. Para evidenciar como essas vivências moldaram suas percepções sobre a educação, com foco na lembrança dos obstáculos enfrentados e nas estratégias de resistência. A metodologia adotada une análise bibliográfica e estudo através de fontes orais, audiovisuais e documentais. Utiliza-se como fontes orais os relatos de Bertolina de Souza Pedroso, Angelina Fernandes da Silva, Nilda das Graças Silva, Maria Altiva Dias, Florência Lopes de Souza e Rosely de Fátima Oliveira. Ademais, como fonte audiovisual, o documentário Sua cor bate na minha (2005), contribui com as falas de Maria Luiza Lopes, Bertolina e Angelina. Já a Ação de Divisão de Terras (1928), como fonte documental auxilia na denominação das mulheres nomeadas como analfabetas naquele período. No decorrer da pesquisa, o não acesso à escola é compreendido como a negação de um direito. Contudo, essas mulheres, mesmo diante das adversidades, detêm outros saberes importantes, adquiridos a partir da experiência vivida, que possibilitam a construção de estratégias de resistência por elas desenvolvidas (Thompson, 1981). Considera-se que, mesmo em meio às barreiras impostas no pós abolição pelo racismo estrutural, pela desigualdade social, pela baixa escolarização e por vivências marcadas pelas relações de gênero, essas mulheres participam social e politicamente da vida comunitária.
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