Interseccionalidade e a educação: experiências de professoras negras em santa catarina
Palavras-chave:
Interseccionalidade, Relações ético-raciais , Trajetórias , Professoras negrasResumo
Esta pesquisa tem como finalidade compreender as intersecções de raça, gênero e classe a partir das trajetórias de professoras negras aposentadas na educação básica, da região do planalto de Santa Catarina. A pesquisa será construída a partir da oralidade enfatizando suas vivências e experiências em torno do trabalho docente, o espaço escolar e as relações ali formadas. O objetivo, desta forma, é investigar as intersecções dessas categorias no convívio escolar e social, incluindo um olhar atento às articulações realizadas e os impactos do racismo/sexismo em suas trajetórias.
Na construção desta pesquisa a interseccionalidade será empregada como principal ferramenta teórica, baseando-se nos trabalhos de Kimberlé Crenshaw (1989, 2002a, 2002b), Carla Akotirene (2019) e Patricia Hills Collins (2017, 2019) e seu trabalho em conjunto com Sirma Bilge (2021). O conceito é uma crítica às leituras sociais voltadas separadamente para raça, gênero ou classe (Kimberlé Crenshaw, 1989) uma vez que pesquisas monocategóricas, mesmo ao incluir mulheres negras, não conseguem adequadamente refletir sobre o contexto vivenciado por elas, sendo necessário observar estes sistemas de opressão como interligados, destacando seus efeitos (Akotirene, 2019). O uso da interseccionalidade está intimamente ligada às questões relacionadas à justiça social, proporcionando o uso destes relatos como orientações para conceber novas estratégias pedagógicas e de mudança social.
Ao construir redes de diálogos com respeito as mulheres negras professoras e suas memórias, espera-se, como resultado, elaborar uma análise na qual estas apareçam através de suas palavras, reforçando que, ao ouvir as vozes de sujeitos negros, combate-se um sistema que desqualifica suas memórias e sua produção de conhecimento (Kilomba, 2019), possibilitando o registro de suas memórias e a escrita de uma narrativa que as considera como protagonistas, define-as por meio de suas próprias escolhas (hooks, 2019). Ainda, procura-se reforçar a não neutralidade dos ambientes educativos, lugar onde ocorre a formação de relações, que impactam a trajetória dos sujeitos envolvidos no sistema educacional. É neste diálogo no qual podemos conceber diversas experiências do passado e desenvolver um espaço de articulação das vozes destas mulheres (Kilomba, 2019), justificando, desta forma, o desenvolvimento desta pesquisa e do emprego da interseccionalidade.
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